domingo, 17 de janeiro de 2010

A tragédia do povo haitiano.

Em 1492, Cristovão Colombo chega a uma ilha e deu o nome de Hispaniola.
No final do século XVI, quase toda população nativa havia desaparecido, escravizada ou morta pelos invasores.
Espanha e França fazem a partilha da ilha. O que hoje é o Haiti ficou com a França. Foi uma próspera colônia, exportando açúcar, cacau e café.
Os escravos se rebelaram em 1794 e a servidão foi abolida. Neste mesmo ano a França assume o domínio de toda ilha.
Em 1804 um exército formato pelos haitianos derrota os franceses e declaram a independência.
A dominação imperialista e a luta de classes de forma explícita marcam a história do Haiti.
Tropas dos Estados Unidos da América ocuparam o Haiti entre 1915 e 1934, sob o pretexto de proteger os interesses norte-americanos no país.
Em nome de assistência, na prática o Haiti vive hoje sob intervenção internacional. O Conselho de Segurança da ONU decidiu estabelecer a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), comandada pelo General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército Brasileiro, com um efetivo de 6.700 homens oriundos de vários países, inclusive Brasil.
Com o terremoto ocorrido dia 12 de janeiro de 2010, sua capital Porto Príncipe, com mais de três milhões de habitantes, praticamente foi destruída. (mais detalhes sobre a história do Haiti em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Haiti)
Não bastasse a carnificina do colonialismo, do imperialismo e os conflitos sociais, o Haiti tem sido castigado por fenômenos naturais como este terremoto.
O terremoto matou milhares, inclusive uma dezena de brasileiros que lá estavam trabalhando.
Estamos assim de luto com esta catástrofe que causou e ainda causa tanto sofrimento a todos, principalmente aos haitianos.
Entre as vítimas, Dra. Zilda Arns que nos deixa muita saudade e um exemplo de luta e solidariedade para com o próximo. Nossas crianças sabem disso. A Pastoral da Criança terá força para continuar seu trabalho. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Zilda_Arns)
A solidariedade e a ajuda aos irmãos haitianos são fundamentais para salvarmos vidas e para que este povo tenha condições dignas de firmar com independência seu destino.
A ajuda dos EUA alardeada pela imprensa está se configurando como mais uma invasão direta no Haiti. De cara suas tropas controlam o aeroporto de Porto Príncipe, semi-destriuido pelo terremoto.
Uma equipe de pesquisadores da Unicamp estava em Porto Príncipe no dia do terremoto. Postaram em Blog relatos que achamos importante para termos uma visão da tragédia causada pelo terremoto e também da falta de compromisso com os brasileiros da embaixatriz que temos no Haiti: http://lacitadelle.wordpress.com/category/haiti/

domingo, 10 de janeiro de 2010

Volta à ativa

Saimos de férias em 20/12/2009 e após longas viagens pelo nordeste, inclusive visitando nossa cidade natal, Curaçá-BA, pretendemos postar com mais reguladidade nossa opinião sobre a realidade política, social e econômica.
Carlos Nelson Coutinho, professor de Teoria Política da UFRJ, foi entrevistado pela TV Socialismo e Liberdade. Acho importante o tema tratado nesta entrevista para os rumos que devemos traçar na atualidade. Vejamos a entrevista em http://video.google.com/videoplay?docid=1457903795522172815##

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"De onde menos se espera, é daí que não sai nada mesmo."


Aproveito para compartilhar com todos o site http://edwilson.souza.vilabol.uol.com.br/index.html que dedica espaço ao Barão de Itararé.
Acho importante este senso de humor. Não sei contar piada nem usar linguagem bem humorada. Mas sou admirador dos que tem esta facilidade. Assim sentimos o mundo mais alegre.
Nem só da realidade nua e crua vive a humanidade.
Vamos então a algumas frases do Barão de Itararé postadas no referido site:

* De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

* Mais vale um galo no terreiro do que dois natesta.

* Quem empresta, adeus...

* Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

* Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.

* Quando pobre come frango, um dos dois está doente.

* Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.

* Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.

* Quem só fala dos grandes, pequeno fica.

* Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.

* Depois do governo ge-gê, o Brasil terá um governo ga-gá. ( Ge-gê: apelido de Getulio Vargas. Ga-gá: referia-se às duas primeiras letras no sobrenome do novo presidente, Eurico Gaspar Dutra).

* Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.

* Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.

* Voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

* Os juros são o perfume do capital.

* Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.

* Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

* Banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

* Mulher moderna calça as botas e bota as calças.

* A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.

* Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.

* Pão, quanto mais quente, mais fresco.

* A promissória é uma questão "de...vida". O pagamento é de morte.

* A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.

* A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.

* Cobra é um animal careca com ondulação permanente.

* Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.

* Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

* Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.

* É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.

* A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.

* Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.

* Advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.

* Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Quem vai paga a conta?


O impasse continua em Copenhague.
EUA e China não têm acordo. Ambos são responsáveis por 40% da emissão de dióxido de carbono (CO2) na atualidade. A liberação de CO2 é considerada o principal causador do aquecimento global, segundo os relatórios da ONU.
A China argumenta a responsabilidade histórica dos países industrializados como os principais causadores do desequilíbrio ambiental que vive o planeta. Portanto deverão ter compromisso reparador, liberando recursos aos países em desenvolvimento com o propósito de redução das atividades que mais poluem o meio ambiente. Os EUA simplesmente se negam a terem esta responsabilidade.
É uma briga de gigantes. Mas a população pobre do mundo é quem está pagando o pato.
Em pleno século XXI os trabalhadores ainda são expostos a trabalhar em ambientes altamente poluídos e poluidores em milhões de unidades produtivas espalhadas por este mundo afora.
Mas o operário, aquele que mete a mão na massa, que apesar da alta tecnologia está na fábrica processando a matéria, tem algum representante em Copenhague?
Nem precisa comentar a resposta.
Então quem está lá, representa o capital. Querem mesmo é melhorar suas taxas de lucro.
Não é por acaso que Todd Stern, representando a posição dos EUA declarou:
"Reconhecemos cabalmente nosso papel histórico na poluição atmosférica, mas rejeito categoricamente qualquer idéia da culpabilidade ou de reparações".
Representando a posição do Brasil e aliado com a China, Sérgio Serra manifestou: "Sem dinheiro, nenhum acordo!".
O problema é o dinheiro.
Já é possível perceber que de Copenhague não podemos esperar muito. Ou melhor, não podemos esperar nada.
A característica do capitalismo é a busca incondicional do lucro em meio à completa anarquia da produção. Sua principal fonte geradora e concentradora de riqueza é a exploração do trabalho assalariado.
Assim, para a burguesia, meio ambiente está lá no fim da fila. Estes eventos sevem mais para consolidar seu domínio ideológico.
Cada dia fica mais evidente que o capitalismo não tem mais nada a oferecer de bom à humanidade. De mal tem muito: miséria, violência, desesperança. Será que isto já não cheira a barbárie?
Será que a burguesia tem interesse em gastar dinheiro no combate ao aquecimento global?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Polêmica no PSOL


A polêmica está posta dentro do PSOL.

A Executiva Nacional aprovou abertura de negociação com a candidata do PV à presidência da república, Marina Silva.

Os militantes do PSOL em todo país estão repudiando esta decisão e defendendo a reedição da frente de esquerda em torno de um programa anticapitalista.

Reproduzimos abaixo a decisão do Diretório Estadual do Maranhão.


“O MARANHÃO DIZ NÃO À ALIANÇA COM O PV E MARINA SILVA E EXIGE O RESPEITO AO PARTIDO E ÀS SUAS BASES!
São Luís (MA), 3 de dezembro de 2009
Depois de titubear, o PSOL, tensionado por pressões internas e públicas da maioria dos seus dirigentes plantados na Executiva Nacional, aprovou a abertura de conversações oficiais com a pré-candidata do PV, Marina Silva. Este fato lamentável põe em alerta a base do PSOL e a faz levantar com rigor e coerência contra esse erro de tática e estratégia política daqueles que renegam o projeto socialista do partido e, impregnados pelos vícios do institucionalismo, teimam em repetir os mesmos erros de um passado de alianças policlassistas e eleitoreiras.
Na realidade, há uma pergunta que não quer calar: o PSOL abortará, praticamente, no seu nascedouro, as esperanças que semeou para amplos contingentes da classe trabalhadora brasileira ou sucumbirá perante os ditames da ordem burguesa, tornando-se apenas um instrumento funcional ao sistema capitalista sem forças e sem vontade de romper com a lógica do capital?
Claro que não é isto que a base do PSOL deseja que aconteça. Ao contrário, a base do partido exige que a direção majoritária dê um passo atrás, faça uma autocrítica pública e reponha o processo político interno, reafirmando a centralidade da candidatura própria do PSOL, por um lado, e, por outro, construa um processo político que possa levar à recriação da Frente de Esquerda em aliança com o PSTU e o PCB, numa verdadeira frente anticapitalista unitária para denunciar os 16 anos ininterruptos do neoliberalismo no Brasil, quer seja com FHC ou com Lula/Marina.
Jamais o PSOL terá as condições de fazer esse enfrentamento anticapitalista em 2010 se não recuar dessa política desastrosa. Afinal, como o setor majoritário do partido justificaria a aliança com o PV de Serra e Kassab, do Sarney e seus honoráveis bandidos? Da mesma forma, como esses dirigentes justificarão a aliança do PSOL com os capitalistas da Natura e de outras empresas capitalistas, que a pretexto da “responsabilidade social” exploram sem dó nem piedade e abusam da repressão sobre os seus trabalhadores e degradam o meio ambiente.
Bancar o apoio a Marina/PV pode representar um fim trágico e melancólico do PSOL na cena política brasileira no momento em que vários agrupamentos partidários buscam aglutinar a autêntica esquerda e os setores combativos dos movimentos sociais para fortalecer a construção da Frente de Esquerda, fazer o balanço do que foi a era neoliberal no Brasil e, ao mesmo tempo, apresentar um programa socialista para o Brasil.
A ironia trágica dessa história é que a presidente do partido [Heloísa Helena], além de abdicar de sua candidatura à presidência, foi a primeira a sair em público a pressionar a direção do partido para a aliança com o PV e Marina Silva, num total desrespeito às bases partidárias.
O PSOL tem bases para apresentar um programa anticapitalista capaz de reaglutinar a frente de esquerda, como é o caso da pré-candidatura de Plínio de Arruda Sampaio, que vem recebendo inúmeros apoios na intelectualidade, nos movimentos sociais, setores da Igreja Católica, do sindicalismo combativo e da juventude, dando mostras do potencial e das possibilidades que o PSOL têm para enfrentar o cenário atual.
A Executiva Nacional do PSOL não poderia tomar a equivocada decisão de abrir negociações com Marina e o PV. É por acreditarmos nos militantes inseridos nas lutas, populares, sindicais, ambientais, estudantis e dos seus mais diversos e ricos setoriais que o momento é de nos levantarmos em defesa do projeto do PSOL, que no terreno da disputa eleitoral, se materializa em uma candidatura própria presidencial com um programa de corte anticapitalista.
O PSOL-MA reitera a sua posição política para dizer que essa idéia de aliança com o PV terá o nosso combate até as últimas conseqüências, denunciando a violenta e corrupta oligarquia Sarney, na qual se abriga o deputado Zequinha Sarney, prócer do PV e dos interesses privados no Maranhão e no Brasil.
A única aliança política a ser feita para as eleições 2010 já foi aprovada no II Congresso do PSOL-MA em agosto de 2009 e aponta para a construção da Frente de Esquerda com o PSOL, o PSTU e o PCB a partir de um efetivo debate programático entre os partidos com a participação dos movimentos sociais de nosso país, na perspectiva de apresentar um programa anticapitalista e de ruptura com a sociedade capitalista e oligárquica.
São Luís (MA), 3 de dezembro de 2009.
Diretório Estadual do PSOL-MA”

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sinuca de bico


Os EUA estão às voltas com os altos índices de desemprego e a exorbitante dívida pública. Situação semelhante vive a região do euro.
O norte americano foi voraz consumidor que impulsionaram as exportações de países em desenvolvimento, como China, Índia, Rússia, Brasil, etc.
Exportaram capitais e nestes países implantaram indústrias que não precisavam utilizar trabalho especializado.
Os EUA é base do capital financeiro que submete o mundo inteiro à especulação.
Com juros próximos de zero, Wall Street corre mundo afora em busca de melhores taxas. O Brasil é assim um paraíso. Para minimizar a orgia, o Governo brasileiro já foi obrigado a definir taxas sobre a movimentação deste capital. Aqui eles ganham duplamente: com a alta taxa de juros e com a desvalorização do dólar. Para o capital financeiro é o melhor dos mundos. Quando os benefícios emagrecem ou são duvidosos, simplesmente migram para outros paraísos. Foi a causa de crises em vários países, inclusive Brasil.
No momento, por aqui a economia apresenta sinais de crescimento. A previsão é de 5% em 2010 e de 4,5% em 2011. O governo brasileiro e a OCDE convergem para estas previsões.
Mas temos que nos preparar, pois a bonança pode ser destruída pela tempestade.
Na sinuca de bico que os EUA se encontram, terão que fazer pesados investimentos na produção, na implantação de modernas indústrias. Isto se quer manter o nível de consumo a que se acostumaram nas últimas décadas. Mesmo assim, os trabalhadores nos EUA verão seus salários achatarem.
Qual implicação disto para o mundo?
Que os EUA voltarão com toda força para competir com a produção industrial. Na divisão do trabalho das últimas décadas os EUA deixavam esta tarefa principalmente para os países em desenvolvimento, com destaque para a China. Com a exploração baseado nos baixos salários dos trabalhadores destes países, o capital financeiro buscava garantir alta as taxas de lucro e uma produção com custos relativamente baratos.
Com a crise, não poderá mais continuar neste conforto.
E agora? Como os países em desenvolvimento enfrentar o gigante sem voltar aos tempos coloniais de dependência da exportação de produtos primários?
Aqui, o agronegócio achará isto uma maravilha. Mas os trabalhadores e os milhões de brasileiros?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Operário em construção

Vinícius de Moraes
http://www.astormentas.com/vinicius.htm





Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem

Bertold Brecht

Sitio com boa poesia : http://www.astormentas.com/brecht.htm