sábado, 17 de agosto de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
25 verdades sobre o caso Evo Morales/Edward Snowden
Salim Lamrani
Opera Mundi
O caso Edward Snowden foi a origem de um grave incidente diplomático entre Bolívia e vários países europeus. Depois de uma ordem de Washington, França, Itália, Espanha e Portugal proibiram o avião presidencial de Evo Morales de sobrevoar seu território.
1. Após uma viagem oficial à Rússia para assistir a uma reunião de países produtores de gás, o Presidente Evo Morales tomou seu avião para regressar à Bolívia.
2. Os Estados Unidos, pensando que Edward Snowden, ex-agente da CIA e da NSA, autor das revelações sobre as operações de espionagem de seu país, encontrava-se no avião presidencial, ordenou aos quatro países europeus, França, Itália, Espanha e Portugal, que proibissem o sobrevoo de seu espaço aéreo à Evo Morales.
3. Paris cumpriu imediatamente a ordem procedente de Washington e cancelou a autorização de sobrevoo de seu território, concedida à Bolívia em 27 de junho de 2013, enquanto o avião presidencial encontrava-se a apenas uns quilômetros das fronteiras francesas.
4. Assim, Paris colocou em perigo a vida do Presidente boliviano, que precisou fazer um pouso de emergência na Áustria, por falta de combustível.
5. Desde 1945, nenhuma nação do mundo impediu um avião presidencial de sobrevoar seu território.
6. Paris, além de desatar uma crise de extrema gravidade, violou o direito internacional e a imunidade diplomática absoluta do qual goza todo chefe de Estado.
7. O governo socialista de François Hollande atentou gravemente ao prestígio da nação. A França aparece ante os olhos do mundo como um país servil e dócil, que não vacila um só instante em obedecer às ordens de Washington, contra seus próprios interesses.
8. Ao tomar semelhante decisão, Hollande desprestigiou a voz da França no cenário internacional.
9. Paris também se transformou em objeto de riso no mundo inteiro. As revelações feitas por Edward Snowden permitiram descobrir que os Estados Unidos espionava vários países da União Europeia, entre os quais a França. Depois dessas revelações, François Hollande pediu pública e firmemente a Washington que parasse esses atos hostis. Não obstante, na prática, o Palácio do Elysée seguiu fielmente as ordens da Casa Branca.
10. Após descobrir que se tratava de uma informação falsa e que Snowden não se encontrava no avião, Paris decidiu anular a proibição.
11. A Itália, Espanha e Portugal também seguiram as ordens de Washington e proibiram Evo Morales de sobrevoar seu território, antes de mudarem de opinião ao interarem-se de que a informação não era verídica e permitirem ao Presidente boliviano seguir sua rota.
12. Antes disso, a Espanha até exigiu a revista do avião presidencial, violando todas as normas legais internacionais. “Isto é uma chantagem. Não vamos permitir por uma questão de dignidade. Vamos esperar todo o tempo necessário”, replicou a Presidência boliviana. “Não sou um criminoso”, declarou Evo Morales.
13. A Bolívia denunciou um atentado contra sua soberania e contra a imunidade de seu presidente. “Trata-se de uma instrução do governo dos Estados Unidos”, segundo La Paz.
14. A América Latina condenou unanimemente a atitude da França, Espanha, Itália e Portugal.
15. A União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) convocou, em caráter de urgência, uma reunião extraordinária após este escândalo internacional e expressou sua “indignação” mediante seu Secretário Geral, Ali Rodríguez.
16. A Venezuela e o Equador condenaram “a ofensa” e “o atentado” contra o Presidente Evo Morales.
17. O Presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, condenou “uma agressão grosseira, brutal, inadequada e não civilizada”.
18. O Presidente equatoriano Rafael Correa expressou sua indignação: “Nossa América não pode tolerar tanto abuso!”.
19. A Nicarágua denunciou uma “ação criminosa e bárbara”.
20. Havana criticou o “ato inadmissível, infundado e arbitrário, que ofende toda a América Latina e o Caribe”.
21. A Presidenta argentina Cristina Fernández expressou sua consternação: “Definitivamente estão todos loucos. O chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não podemos permitir este grau de impunidade”.
22. Mediante a voz de seu Secretário Geral, José Miguel Insulza, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a decisão dos países europeus: “Não existe circunstância alguma para cometer tais ações em detrimento do presidente da Bolívia. Os países envolvidos devem dar uma explicação das razões pelas quais tomaram esta decisão, particularmente porque isso pôs em risco a vida do primeiro mandatário de um País Membro da OEA”.
23. A Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) denunciou “uma flagrante discriminação e ameaça à imunidade diplomática de um Chefe de Estado”.
24. Ao invés de outorgar o asilo político à pessoa que permitiu descobrir que era vítima de espionagem hostil, a Europa, particularmente a França, não vacilou em criar uma grave crise diplomática com o objetivo de entregar Edward Snowden aos Estados Unidos.
25. Este caso ilustra que se a União Europeia é uma potência econômica, é um anão político e diplomático, incapaz de adotar uma postura independente dos Estados Unidos.
*Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Universidade de La Reunión e jornalista especialista das relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade, New York, Monthly Review Press, 2013, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
sexta-feira, 21 de junho de 2013
BRASIL INSURGENTE
BRASIL INSURGENTE
Professor da UFRJ e presidente da Adufrj-SSind, Mauro Iasi analisa o grito das ruas
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Entre a foice e o martelo
Marx vive
Pável Blanco Cabrera*
Se a obra de Marx se limitasse ao Manifesto do Partido Comunista ou a O Capital seria já uma realização gigantesca. Mas é muito mais ampla, porque nada de humano lhe era estranho; cada descoberta científica, cada argumento levantado por ele arma os explorados e todas as classes oprimidas contra os exploradores, contra a classe dominante, a classe burguesa. Estudar a sua obra integralmente, assimilar a dialéctica, é uma obrigação para os revolucionários que aspiram a mudar o mundo.
“A 14 de Março, às quinze para as três da tarde, deixou de pensar aquele que foi o maior pensador do nosso tempo. Deixámo-lo apenas dois minutos sozinho e, quando voltámos, encontrámo-lo dormindo suavemente na sua cadeira, mas para sempre.”
Friedrich Engels
As contribuições de Karl Marx são actuais; a sua obra, elaborada em conjunto com o seu íntimo camarada F. Engels, desenvolvida e enriquecida por V. I. Lenine, é o guia para a emancipação do proletariado e de toda a humanidade.
Marx foi um homem de teoria e acção; com ele, a dissociação entre ser e pensar, velho problema da filosofia, foi superada pela primeira vez, pois, como afirmou nas Teses sobre Feuerbach, não se trata apenas de interpretar o mundo, mas de transformá-lo.
A sua obra não se limita ao Manifesto do Partido Comunista, ou a O Capital, é muito mais ampla, porque nada de humano lhe era estranho; cada descoberta científica, cada argumento levantado por ele, arma os explorados e todas as classes oprimidas contra os exploradores, contra a classe dominante, a classe burguesa. Estudar a sua obra integralmente, assimilar a dialéctica, é uma obrigação para os revolucionários que aspiram a mudar o mundo.
Surpreende a actualidade da sua conclusão científica, ao estudar o modo de produção baseado na propriedade privada e no trabalho assalariado, de que o «sórdido segredo da exploração capitalista é a mais-valia».
O marxismo é o materialismo dialéctico, o materialismo histórico, a economia política, o socialismo científico, e deve ser integralmente assimilada pelos trabalhadores do mundo. Houve tendências positivistas, dogmáticas, mecanicistas, que, pondo de parte o materialismo dialéctico, corromperam a teoria revolucionária.
Marx integrou de forma contundente no seu trabalho a ditadura do proletariado, a violência revolucionária como parteira da história, a classe trabalhadora como sujeito da História, coveira do capitalismo. Quão surpreendente é que alguns dos que se dizem seus seguidores neguem qualquer um desses elementos essenciais. Marx voltaria a sua pena afiada contra esses “académicos” que o negam, que procuram suavizá-lo, convertendo-o em “teoria crítica”, anulando o seu carácter subversivo, partidário, determinado a não se deixar acorrentar às paredes da universidade. Que falácia a dos que querem limitá-lo a um democrata, um humanista, um sonhador. O Prometeu de Tréveris foi um homem de partido, um militante, um conspirador e escreveu, não para a carreira, não para obter um mestrado ou um doutoramento, mas para dar elementos à luta de classes. Não fez da academia o abrigo confortável, assumiu as consequências de ser revolucionário profissional: a perseguição, o exílio, a fome.
Quanto dano fazem aqueles que negam a teoria nos factos, esses pragmáticos que não têm a disciplina e a abnegação que o estudo e a produção teórica requerem, mas também aqueles que produzem uma “teoria” que não contribui nada, procurando emendar o marxismo-leninismo, que, pelo ego, procuram publicar textos ininteligíveis para a nossa classe. Há que enriquecer o marxismo, estreitamente vinculado ao conflito social, ao fortalecimento dos partidos comunistas, tendo em conta a evolução da ciência, as experiências do proletariado.
Marx e Engels sempre observaram a necessidade de o proletariado se tornar classe, mas também o carácter internacionalista da sua luta; a senha lançada no início da Revolução de 1848 está tão viva como sempre: Proletários de todos os países, uni-vos! Para enfrentar o capital internacional, o imperialismo eufemisticamente chamado de globalização ou mundialização. Não importa se é mexicano, ou alemão, ou americano, venezuelano, colombiano, cubano ou grego, hoje a luta dos trabalhadores é contra o poder dos monopólios, classe contra classe; hoje, a luta é entre capital e trabalho.
Na Crítica ao Programa de Gotha e em vários outros textos, Marx definiu uma alternativa anticapitalista, o socialismo-comunismo, não andou pela rama do tacticismo. Desde o Manifesto insistiu, com Engels, que os comunistas devem apresentar-se com o seu programa, com franqueza, sem o esconder, dados os limites históricos do capitalismo. Hoje alguns dizem-se marxistas, mas quando se fala sobre a alternativa ao capitalismo, chamam-lhe pós-capitalismo, ou dizem que é uma questão para discussão posterior. Marx deu-lhe nome e conteúdo, chama-se socialismo-comunismo e é baseado na ditadura do proletariado, na socialização dos meios de produção.
Marx continua em vigor nos dias de hoje, em que a economia segue ciclos descobertos por ele e está em crise. Em vão o mataram tantas vezes, pois sempre regressa à consciência da classe operária e de todos os oprimidos.
Marx, o comunista, o homem de Partido, jornalista de classe e democrata, o revolucionário, o internacionalista, o homem da teoria e da prática, Marx vivo.
*Primeiro Secretário do Partido Comunista do México
Traduzido por André Rodrigues P. da Silva
Entre a foice e o martelo
Marx vive
Pável Blanco Cabrera*
Se a obra de Marx se limitasse ao
Manifesto do Partido Comunista ou a O Capital seria já uma realização
gigantesca. Mas é muito mais ampla, porque nada de humano lhe era estranho;
cada descoberta científica, cada argumento levantado por ele arma os explorados
e todas as classes oprimidas contra os exploradores, contra a classe dominante,
a classe burguesa. Estudar a sua obra integralmente, assimilar a dialéctica, é
uma obrigação para os revolucionários que aspiram a mudar o mundo.
“A 14 de Março, às quinze para as três da tarde, deixou de pensar
aquele que foi o maior pensador do nosso tempo. Deixámo-lo apenas dois minutos
sozinho e, quando voltámos, encontrámo-lo dormindo suavemente na sua cadeira,
mas para sempre.”
Friedrich Engels
As contribuições de Karl Marx são actuais; a sua obra, elaborada
em conjunto com o seu íntimo camarada F. Engels, desenvolvida e enriquecida por
V. I. Lenine, é o guia para a emancipação do proletariado e de toda a
humanidade.
Marx foi um homem de teoria e acção; com ele, a dissociação entre
ser e pensar, velho problema da filosofia, foi superada pela primeira vez,
pois, como afirmou nas Teses sobre Feuerbach, não se trata apenas de
interpretar o mundo, mas de transformá-lo.
A sua obra não se limita ao Manifesto do Partido Comunista, ou a O
Capital, é muito mais ampla, porque nada de humano lhe era estranho; cada
descoberta científica, cada argumento levantado por ele, arma os explorados e
todas as classes oprimidas contra os exploradores, contra a classe dominante, a
classe burguesa. Estudar a sua obra integralmente, assimilar a dialéctica, é
uma obrigação para os revolucionários que aspiram a mudar o mundo.
Surpreende a actualidade da sua conclusão científica, ao estudar o
modo de produção baseado na propriedade privada e no trabalho assalariado, de
que o «sórdido segredo da exploração capitalista é a mais-valia».
O marxismo é o materialismo dialéctico, o materialismo histórico,
a economia política, o socialismo científico, e deve ser integralmente
assimilada pelos trabalhadores do mundo. Houve tendências positivistas,
dogmáticas, mecanicistas, que, pondo de parte o materialismo dialéctico,
corromperam a teoria revolucionária.
Marx integrou de forma contundente no seu trabalho a ditadura do
proletariado, a violência revolucionária como parteira da história, a classe
trabalhadora como sujeito da História, coveira do capitalismo. Quão
surpreendente é que alguns dos que se dizem seus seguidores neguem qualquer um
desses elementos essenciais. Marx voltaria a sua pena afiada contra esses
“académicos” que o negam, que procuram suavizá-lo, convertendo-o em “teoria
crítica”, anulando o seu carácter subversivo, partidário, determinado a não se
deixar acorrentar às paredes da universidade. Que falácia a dos que querem
limitá-lo a um democrata, um humanista, um sonhador. O Prometeu de Tréveris foi
um homem de partido, um militante, um conspirador e escreveu, não para a
carreira, não para obter um mestrado ou um doutoramento, mas para dar elementos
à luta de classes. Não fez da academia o abrigo confortável, assumiu as
consequências de ser revolucionário profissional: a perseguição, o exílio, a
fome.
Quanto dano fazem aqueles que negam a teoria nos factos, esses
pragmáticos que não têm a disciplina e a abnegação que o estudo e a produção
teórica requerem, mas também aqueles que produzem uma “teoria” que não
contribui nada, procurando emendar o marxismo-leninismo, que, pelo ego,
procuram publicar textos ininteligíveis para a nossa classe. Há que enriquecer
o marxismo, estreitamente vinculado ao conflito social, ao fortalecimento dos
partidos comunistas, tendo em conta a evolução da ciência, as experiências do
proletariado.
Marx e Engels sempre observaram a necessidade de o proletariado se
tornar classe, mas também o carácter internacionalista da sua luta; a senha
lançada no início da Revolução de 1848 está tão viva como sempre: Proletários
de todos os países, uni-vos! Para enfrentar o capital internacional, o
imperialismo eufemisticamente chamado de globalização ou mundialização. Não
importa se é mexicano, ou alemão, ou americano, venezuelano, colombiano, cubano
ou grego, hoje a luta dos trabalhadores é contra o poder dos monopólios, classe
contra classe; hoje, a luta é entre capital e trabalho.
Na Crítica ao Programa de Gotha e em vários outros textos, Marx
definiu uma alternativa anticapitalista, o socialismo-comunismo, não andou pela
rama do tacticismo. Desde o Manifesto insistiu, com Engels, que os comunistas
devem apresentar-se com o seu programa, com franqueza, sem o esconder, dados os
limites históricos do capitalismo. Hoje alguns dizem-se marxistas, mas quando
se fala sobre a alternativa ao capitalismo, chamam-lhe pós-capitalismo, ou
dizem que é uma questão para discussão posterior. Marx deu-lhe nome e conteúdo,
chama-se socialismo-comunismo e é baseado na ditadura do proletariado, na
socialização dos meios de produção.
Marx continua em vigor nos dias de hoje, em que a economia segue
ciclos descobertos por ele e está em crise. Em vão o mataram tantas vezes, pois
sempre regressa à consciência da classe operária e de todos os oprimidos.
Marx, o comunista, o homem de Partido, jornalista de classe e
democrata, o revolucionário, o internacionalista, o homem da teoria e da
prática, Marx vivo.
*Primeiro Secretário do Partido Comunista do México
Traduzido por André Rodrigues P. da Silva
sexta-feira, 15 de março de 2013
'A Indiferença'
"Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afetou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde."
Bertold Brecht
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Entrevista do Sociólogo Chico de Oliveira ao Programa Roda Viva em 02/07/2012
Conhecendo melhor o Brasil atual
quinta-feira, 7 de junho de 2012
István Mészáros e o partido como ferramenta de luta ofensiva dos trabalhadores
Demetrio Cherobini* / Agência Carta Maior
A proposta da ofensiva socialista, de que fala Mészáros, exige, dos interessados na superação do sistema, esforços para a efetivação progressiva, já no presente, de um tipo de organização diverso do que está posto pela realidade alienante do capital.
Data: 18/05/2012
"Todo mandato é minucioso e cruel, eu gosto das frugais transgressões" Mario Benedetti
Um dos pontos culminantes da teorização política desenvolvida por István Mészáros em Para além do capital [1]é quando o filósofo estabelece a atualidade histórica da ofensiva socialista. Essa atualidade nada tem a ver com a ideia de que o capitalismo esteja em vias de acabar ou de que o sucesso da ação socialista seja hoje assegurado por alguma condição objetivamente dada na história. O que Mészáros, na verdade, afirma é que, em virtude da profunda crise estrutural do sistema do capital, na qual estamos inseridos, "a necessidade de instituir algumas mudanças fundamentais na organização e a orientação do movimento socialista se apresentou na agenda histórica" [2]. Para podermos delinear o sentido dessas mudanças fundamentais, devemos compreender as contradições que compõem o ser do capital na presente etapa histórica da humanidade.
A crise estrutural de que fala o filósofo – que de modo algum começou com as complicações no setor financeiro da economia, nos países de centro, em 2007 – foi o produto do fim da chamada "fase ascendente do desenvolvimento do capital" e da consequente confrontação desse sistema com algumas contradições que se lhe afiguraram insolúveis. Em razão disso, o capital se viu obrigado a se reestruturar de uma maneira em que a produção destrutiva passou a ser o elemento predominante de seu movimento autoconstitutivo.
Tal produção destrutiva – com seu correspondente consumo destrutivo - é que dá a forma da crise estrutural e faz com que a atual dinâmica sociometabólica da humanidade se assemelhe, no dizer de Mészáros, a um câncer em progressão [3].
O aprofundamento dessa crise estrutural – uma crise que é rastejante e não cíclica, e que é visível, por exemplo, na preponderância imperialista do Complexo Militar-Industrial e na sua incessante necessidade de guerras e conflitos, que arrastam atrás de si o conjunto da economia mundial – apresenta-se, segundo o filósofo húngaro, como a tendência fundamental de nossa época. Como tal, esse fenômeno não pode ser combatido lançando-se mão simplesmente de reformas, por mais engenhosas que estas venham a ser, e sim por intermédio de uma reestruturação completa e radical das relações de produção e dos processos de tomada de decisão política vigentes em nossa sociedade.
É, portanto, por generalizar a destrutividade a uma escala jamais vista – a escala planetária – e torná-la o "motor" da produção que a crise estrutural do capital se constitui no elemento fundante da atualidade histórica de um projeto alternativo, qualitativamente superior, de regulação do metabolismo social humano.
Aqui, é preciso esclarecer um ponto: afirmar a atualidade histórica da ofensiva socialista, como o faz Mészáros, não significa que a revolução possa ser feita a qualquer momento ou de qualquer modo. Significa apenas que ela, a revolução, é a perspectiva da qual se parte para se analisar a realidade concreta e, consequentemente, para se tomar as decisões nas questões estratégicas referentes à práxis socialista. Somente a partir desse parâmetro – a atualidade da revolução, e não o reformismo -, é que os proletários podem organizar coerentemente suas ações emancipatórias e aspirar ter êxito na realização de um projeto societário alternativo.
A perspectiva da atualidade da revolução é a que nos faz colocar, sempre, diante dos olhos, a superação do capital, e não apenas de alguma de suas partes constituintes ou expressões fenomênicas, como princípio orientador último e determinante de nossa estratégia política. O capital, como assinala Mészáros, é um sistema de controle do metabolismo social, composto por certo número de mediações [4], que se realiza no sentido de explorar a maior quantidade possível de trabalho excedente, num movimento sempre acumulativo e expansivo. A tarefa premente dos revolucionários, nesse contexto, é a de eliminar a totalidade desse conjunto de mediações e instaurar uma nova forma de organização social que restitua aos produtores associados aquilo que o capital lhes cerceia: o poder de determinar autonomamente os rumos da atividade produtiva.
Nessa luta encarniçada contra o inimigo visceral, é preciso que os sujeitos interessados na construção de um mundo novo não tenham ilusões a respeito de uma das mediações essenciais da composição do sistema: o Estado.
O Estado, diz Mészáros, não pode ser identificado e confundido com os indivíduos – ou com os cargos ocupados por esses indivíduos – que preenchem sua intrincada estrutura. Ele é, em realidade, um conjunto de relações sociais, com uma correspondente base material, que está atrelado a um conjunto mais amplo, o sistema do capital, que o determina e o faz retroagir sobre sua dinâmica sociorreprodutiva. Por ser, portanto, mera parte dessa totalidade, o Estado não pode controlá-la. Ao contrário, é pelo sistema controlado, como bem explica o filósofo húngaro.
O Estado recebe do capital a incumbência de realizar a harmonização dos conflitos que frequentemente irrompem de seu bojo, frutos dos processos fetichistas de exploração e acumulação de trabalho excedente. Imbuído dessa exigência, o Estado é até capaz de atender, aqui e acolá, algumas das demandas feitas por grupos oprimidos da sociedade, mas ele assim procede, única e exclusivamente, a fim de evitar mudanças que atentem contra a condição fundamental de existência do sistema: o controle hierárquico absoluto estabelecido pelo capital sobre o trabalho.
Essa constatação tem implicações políticas importantes para as lutas dos trabalhadores, pois mostra que não se pode pretender "encilhar" o capital por meio de reformas feitas a partir do Estado. O capital é, como explica Mészáros, uma força material que, para ser batida, precisa ser golpeada, sem vacilações, em suas raízes extraparlamentares [5].
Por consequência, o desafio central, para os proletários, passa a ser o de, sem dispensar as batalhas no interior do Estado – batalhas defensivas, por definição, mas extremamente importantes na medida em que buscam oferecer resguardo contra os ataques perpetrados pelo capital -, conseguir compor uma força material que seja, também, extraparlamentar, crítica e radical, capaz de promover a reestruturação completa das mediações antagônicas vigentes nas múltiplas esferas da sociedade.
Isso significa, em outras palavras, que as lutas no interior das instituições estatais, além de precisarem ser feitas com a maior firmeza possível, devem estar articuladas com as disputas extraestatais que visam à formação das associações coletivas capazes de regular, de maneira autônoma e horizontal, a atividade produtiva humana. A ofensiva socialista de que fala Mészáros é, justamente, o projeto que objetiva combinar dialeticamente essas modalidades de combate a fim de trazer à luz tais associações e fazer com que estas sirvam de base às grandes transformações a serem implementadas nos âmbitos da economia e da política.
É preciso, então, nesse contexto, forjar as ferramentas de luta proletária em conformidade com essa orientação estratégica geral, de coadunar negação e afirmação, combate defensivo e ofensivo, no sentido da efetivação da transição socialista.
Ora, como é sabido, nos últimos anos, com as manifestações mais explosivas da crise estrutural do capital, muitas foram as tentativas de construção de mediações de combate que possibilitassem aos trabalhadores do mundo realizar reivindicações de variados tipos. Diversos foram os países em que homens e mulheres saíram organizadamente às ruas para questionar uma multiplicidade de acontecimentos, entre eles o fato de que as decisões fundamentais, de cunho político, econômico e social, que afetavam diretamente suas vidas, estavam sendo tomadas à revelia de suas vontades[6]. Até mesmo o Brasil, guardadas as devidas proporções, foi palco para o pronunciamento de numerosas vozes, que, descontentes, clamavam por melhores condições de existência [7].
Essas organizações desempenham uma tarefa verdadeiramente árdua e indispensável: tomam ruas, ocupam praças, elaboram modos criativos de protesto, montam piquetes, pressionam, fazem agitação, enfrentam a repressão violenta do Estado, executam princípios de uma ação que se pode considerar como negativa em relação a essa ordem na qual a dinâmica sociometabólica se desenvolve sem que os sujeitos que a sustentam tenham a possibilidade de dar a ela um rumo consciente e coletivamente planejado.
A grande limitação de tais movimentos – e este é o seu calcanhar de Aquiles – é que são incapazes de transcender a ação meramente negativa (ou defensiva) e avançar no sentido de afirmar, na prática e em escala de massa, uma nova forma de regulação do metabolismo social que aponte para a superação definitiva do complexo contraditório do capital enquanto controlador fetichista e destrutivo da atividade produtiva humana.
Portanto, por mais valorosas que possamos considerar essas mediações, devemos forçosamente concluir que elas precisam, para levar suas batalhas adiante, até as últimas consequências, orientar-se de maneira ofensiva contra o capital. E esse salto programático só pode ser efetuado se os trabalhadores souberem fazer bom uso do instrumento cuja tarefa essencial é a de organizar as lutas de classes de uma forma em que se consiga ir além das reivindicações concernentes aos interesses parciais (econômicos) dos diversos setores da classe e, consequentemente, colocar em questão a própria relação antagônica – uma relação que é política, isto é, que envolve poder - existente entre capital e trabalho, que permeia a classe como um todo.
Esse instrumento de que estamos falando é o partido [8]. A atribuição específica do partido é a de, justamente,politizar as lutas econômicas dos trabalhadores, ou seja, tornar-se veículo para que a consciência proletária ultrapasse o nível da particularidade e atinja o da totalidade concreta acerca do ser da sociedade na qual estão inseridos e que atualmente é controlada pelo sistema do capital. Numa palavra: o partido deve servir de mediação entre a classe revolucionária e a consciência revolucionária [9].
Para tanto, o partido necessita ter a melhor preparação teórica e política possível – profissionalizar-se, em todos os âmbitos da práxis revolucionária -, ao mesmo tempo em que se mantém organicamente vinculado às fileiras proletárias. Ele não é, nesse contexto, o causador da revolução, mas a ferramenta dialética que ensina e aprende com os trabalhadores e que lhes possibilita apreender concretamente as múltiplas determinações sociometabólicas que afetam as suas existências.
Comprando diariamente as lutas da classe trabalhadora, inserindo-se em seu interior, realizando denúncias sobre as arbitrariedades do capital, fazendo agitação político-ideológica, usando as palavras de ordem adequadas, educando e preparando material, tática e estrategicamente as massas para a atividade revolucionária – as batalhas ofensivas com o fim de formar mediações alternativas de regulação da produção -, o partido se converte em elemento efetivo de emancipação.
O partido não pode, portanto, em hipótese alguma, permanecer a reboque das causas economicistas dos trabalhadores, mas sim buscar a elevação da consciência das massas a partir da conjugação de ações negativas e afirmativas em todos os espaços passíveis de intervenção política.
Sua própria forma de constituição interna, nesse contexto, precisa ser prenunciadora de uma formação social qualitativamente superior. Organização e orientação estratégica são, aqui, duas faces de uma mesma moeda. Isso quer dizer, em outras palavras, que as mediações alternativas da luta proletária – partido incluso – não podem se estruturar de uma maneira que reproduza a lógica de funcionamento sociometabólico do capital – um modo de controle hierárquico e fetichista da atividade produtiva. A proposta da ofensiva socialista, de que fala Mészáros, exige, dos interessados na superação do sistema, esforços para a efetivação progressiva, já no presente, de um tipo de organização diverso do que está posto pela realidade alienante do capital.
Conclusão: o desafio histórico de construir uma política socialista para além do capital
As tarefas dos trabalhadores são, portanto, imensas e urgentes. A crise estrutural que se aprofunda empurra-os cada vez mais para uma encruzilhada: seguir na trilha da produção e consumo destrutivos do capital, que perpassa e contamina negativamente as várias esferas da vida, ou estabelecer um modo alternativo de regulação do metabolismo social humano, não perdulário, não barbarizante, verdadeiramente sustentável, isento de hierarquias estruturais e fetiches e sob a responsabilidade autogestora dos produtores associados?
Se optarem pelo segundo caminho, deverão enfrentar o problema da construção das ferramentas de luta, da articulação das mediações de combate que lhes possibilitarão enfrentar e tentar superar, de uma vez por todas, o complexo do capital. Tais mediações precisarão ter um caráter ofensivo em relação ao atual sistema, isto é, orientar-se e organizar-se de uma maneira em que se possa combatê-lo a partir de suas raízes e visando ir além de sua lógica de processualidade interna. A atuação extraestatal, articulada com e dando sustentação às batalhas no interior do Estado, necessitará ser o princípio orientador indispensável do processo de transição revolucionária socialista.
O partido, como ferramenta de combate, há de ter, nesse contexto, tremenda importância, visto que será o encarregado de executar tarefas incontornáveis: interligar dialeticamente os diversos setores da classe trabalhadora; orientar seus embates contra o inimigo comum; politizar as variadas lutas que, em razão das circunstâncias, se apresentam; conscientizar os proletários acerca da forma como se constituem e agem as mediações a serviço do capital; e dinamizar sua ação crítico-prática na direção da realização de novos modos de mediar o metabolismo social humano.
Tal é o sentido, lucidamente apontado por Mészáros, das modificações fundamentais a serem feitas no movimento socialista de nossa época histórica.
NOTAS
[1] István Mészáros, Para além do capital: rumo a uma teoria da transição (São Paulo, Boitempo, 2002).
[2] Ibidem, p. 858.
[3] Infelizmente, não é possível, dentro dos marcos deste artigo, detalharmos a explicação sobre o choque do capital com essas contradições – a ativação dos seus assim chamados "limites absolutos", ocorrida por volta de 1970 – e o surgimento da produção destrutiva. Remetemos os interessados no assunto à leitura de Para além do capital, cit.
[4] Essas mediações – os meios alienados e os objetivos fetichistas de produção, o trabalho "estruturalmente separado da possibilidade de controle", o dinheiro, a família nuclear, o mercado mundial e as várias formas de Estado do capital -, juntamente com as mediações que compõem a atividade produtiva humana, são analisadas por Mészáros em sua teorização sobre a crise estrutural do capital. Não é possível, aqui, entrarmos em minúcias a respeito de tais temas. Mais uma vez, remetemos os interessados à leitura de Para além do capital, cit.
[5] Mészáros afirma que o capital é uma força extraparlamentar por excelência. O termo extraparlamentar tem, grosso modo, na sua argumentação, o significado de algo que está além do Estado, ao mesmo tempo em que o incorpora. Ou seja, o capital, para realizar seus propósitos, age dentro do Estado (isto é, por seu intermédio) e fora dele. É um sistema, portanto, que engloba as instituições estatais e as transcende. Para ser vencido, precisa ser confrontado, a partir dos seus fundamentos, em todos os espaços onde exerce sua ação.
[6] O ano de 2011 foi marcante nesse sentido. Para uma boa leitura acerca de tais acontecimentos, vale a pena conferir a entrevista de Ricardo Antunes para Valéria Nader e Gabriel Brito, "Luta pelos direitos do trabalho é hoje vital diante da crise cabal do capitalismo", Correio da Cidadania, 08/09/2011. Como explica o sociólogo brasileiro, ainda que cada uma dessas manifestações tenha tido a sua singularidade, todas elas revelam um traço comum: expressar um profundo descontentamento em relação à ordem em que se inserem – ordem esta marcada, de uma forma ou de outra, pela grave crise do capital.
[7] Sobre esse ponto, é útil ler o bom artigo de Fernando Marcelino "Quatro lições sobre a nova dinâmica da luta de classes no Brasil", Correio da Cidadania, 17/02/2012. Ressalte-se, ainda, nesse contexto, o fato de que, entre os anos de 2009 e 2010, houve 964 greves no Brasil.
[8] Apesar de não ser um tema central de sua vasta obra, Mészáros afirma que os partidos podem ser mediações efetivas nas lutas de classes a favor dos trabalhadores. Apresentamos algumas de suas concepções a respeito num pequeno artigo, "Por um partido socialista de orientação estratégica ofensiva: notas a partir de István Mészáros", Correio da Cidadania, 18/11/2011, disponível em.
[9] Mészáros usa o termo – retirado d'A ideologia alemã – consciência socialista de massa para se referir à consciência revolucionária dos trabalhadores. Esse tipo de consciência deve dar conta de compreender não somente o que precisa ser negado pela práxis transformadora – o sistema de mediações do capital -, mas, também, fundamentalmente, aquilo que necessita ser afirmado em seu lugar, a comunidade dos homens e mulheres que regulam, de forma consciente e autônoma, o metabolismo social humano.
*Cientista social, mestre em Educação (Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil)
quinta-feira, 24 de maio de 2012
A luta pela sobrevivência
Ficamos bom tempo sem postar nossas idéias.
O trabalho nos consome. É a lógica imposta a quem vive do trabalho.
Vamos fazer o máximo de esforço para expor o que pensamos.
Todo nosso esforço é voltado para ajustar a arquitetura da revolução socialista ao nosso tempo. Não só ajuste, mas mobilizar os construtores desta monumental obra.
Vamos fazer o máximo de esforço para expor o que pensamos.
Todo nosso esforço é voltado para ajustar a arquitetura da revolução socialista ao nosso tempo. Não só ajuste, mas mobilizar os construtores desta monumental obra.
Caldeirão ideológico
O preconceito é uma forte arma da ideologia burguesa. Como explicar a desigualdade social?
Para a ideologia burguesa só partindo do princípio de que uns tem mais capacidade que outros. Mas em que condições? Isto a ideologia burguesa não discute.
O filho de um trabalhador tem as mesmas condições de quem nasceu em berço de ouro?
Temos então trajetórias desiguais. Qual a chance de descendentes de escravos terem riqueza acumulada?
Por mais que um descendente de escravos se esforce terá mil barreiras para acumular riqueza, dada as condições do modo capitalista de produção.
Para que o proletariado, vivendo em dificuldade, não se rebele contra a burguesia, é necessário que pense um dia ser burguês. A burguesia sabe disto e não por acaso construiu um estado com complexos aparelhos ideológicos que vão desde a família, escola, igreja, até a massacrante lavagem cerebral promovida pelos meios de comunicação.
Faz milhões pensarem amanhecer milionário jogando na quina quando estatísticos comentam que é mais fácil ser atingido por um raio que ser sorteado. Esta é a grande jogada da ideologia burguesa.
Pega o exemplo de um punhado e cria a ilusão de que todos podem alcançar o mesmo sucesso. Usa a tática da fragmentação. Dividir para dominar.
Pregar o individualismo é a grande sacada burguesa. Assim a multidão se esforça trabalhando, produzindo mais-valia, enriquecendo uma minoria, sonhando um dia ser milionário.
Passa geração e mais geração e esta ilusão parece eterna, pegando como exemplo uns poucos que conseguem este objetivo. Na realidade “bois de piranha” para manter a anestesia geral.
Karl Marx, tão atual, apesar de mais de um século e meio, já dizia: “a ideologia dominante é a da classe dominante”.
Este é o caldo de cultura que borbulha e faz muitos acharem que o mundo é assim mesmo.
Ao contrário da idéia de muitos, é do caldeirão do povo trabalhador empobrecido, vivendo a agonia imposta pelo burguês que o explora onde brotará a força para a revolução socialista.
Para a ideologia burguesa só partindo do princípio de que uns tem mais capacidade que outros. Mas em que condições? Isto a ideologia burguesa não discute.
O filho de um trabalhador tem as mesmas condições de quem nasceu em berço de ouro?
Temos então trajetórias desiguais. Qual a chance de descendentes de escravos terem riqueza acumulada?
Por mais que um descendente de escravos se esforce terá mil barreiras para acumular riqueza, dada as condições do modo capitalista de produção.
Para que o proletariado, vivendo em dificuldade, não se rebele contra a burguesia, é necessário que pense um dia ser burguês. A burguesia sabe disto e não por acaso construiu um estado com complexos aparelhos ideológicos que vão desde a família, escola, igreja, até a massacrante lavagem cerebral promovida pelos meios de comunicação.
Faz milhões pensarem amanhecer milionário jogando na quina quando estatísticos comentam que é mais fácil ser atingido por um raio que ser sorteado. Esta é a grande jogada da ideologia burguesa.
Pega o exemplo de um punhado e cria a ilusão de que todos podem alcançar o mesmo sucesso. Usa a tática da fragmentação. Dividir para dominar.
Pregar o individualismo é a grande sacada burguesa. Assim a multidão se esforça trabalhando, produzindo mais-valia, enriquecendo uma minoria, sonhando um dia ser milionário.
Passa geração e mais geração e esta ilusão parece eterna, pegando como exemplo uns poucos que conseguem este objetivo. Na realidade “bois de piranha” para manter a anestesia geral.
Karl Marx, tão atual, apesar de mais de um século e meio, já dizia: “a ideologia dominante é a da classe dominante”.
Este é o caldo de cultura que borbulha e faz muitos acharem que o mundo é assim mesmo.
Ao contrário da idéia de muitos, é do caldeirão do povo trabalhador empobrecido, vivendo a agonia imposta pelo burguês que o explora onde brotará a força para a revolução socialista.
terça-feira, 10 de abril de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)
