domingo, 30 de janeiro de 2011

“Não tem o que fazer, a não ser fazer a revolução” *

Em curso organizado pelo Departamento de Jornalismo da PUC-SP, a Escola Nacional Florestan Fernandes e o Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae (Cepis) sobre a Crise do capitalismo, realizado entre os meses de abril e maio 2009, o professor Sergio Lessa expõe seus fundamentos sobre as crises no capitalismo e a necessidade do resgate das idéias de Marx para retomada da ideologia e prática revolucionária.

É em nossa opinião a linha que deve seguir os que militam nos movimentos sociais e os que desejam contribuir no processo revolucionário.

Tendo como princípio a propriedade privada e como instrumento “regulador” o mercado, o capitalismo é fonte permanente de concentração da riqueza e fábrica geradora de desigualdade social. Tem como mecanismo de reciclagem as frequentes crises que lança de tempos em tempos milhões de trabalhadores no mundo do desemprego e não tem alternativa para os milhões que vivem em situação de miséria.

A política de dominação imperialista e busca por novos mercados, são fontes de frenquentes guerras geradores de carnificinas que sacrifica a maioria explorada e oprimida em todos os recantos do mundo.

Segue o último vídeo da palestra do professor Sergio Lessa dos sete vídeos que foram postados no youtube.

video


Demais vídeos da palestra:

Crises no Capitalismo - Sérgio Lessa 1/7

Crises no Capitalismo - Sérgio Lessa 2/7

Crises no Capitalismo - Sérgio Lessa 3/7

Crises no Capitalismo - Sérgio Lessa 4/7

Crises no Capitalismo - Sérgio Lessa 5/7

Crises no Capitalismo - Sérgio Lessa 6/7

Crises no Capitalismo - Sérgio Lessa 7/7

A seguir, transcrição de parte deste último vídeo**.

“As contradições são de tal ordem que não tem mais nenhum problema decisivo de nenhum país que possa ser solucionado no interior de nenhum país.

Não tem política nacional que dê conta do desemprego.

Não tem política nacional que supere o desequilíbrio ecológico.

Não tem política nacional que supere o problema da desigualdade histórica entre homens e mulheres.

Não tem política nacional que seja capaz de fazer qualquer distribuição de renda, seja ele qual for. Aí, claro que estou dizendo para vocês com todas as letras: o Bolsa Família é um programa federal de esmola que não está distribuindo renda coisa nenhuma.

Não tem o que fazer, a não ser fazer a revolução.

Então, pode ser que a revolução não venha e a humanidade se destrua. Mas o que esta crise está colocando em cima da mesa com todas as letras é que os revolucionários estavam certos.

O capitalismo está levando agente para o buraco e a única saída é a revolução proletária, cujo programa vocês não sabem e não vou dizer para vocês não.

Então veja, é disto que se trata agente vive um momento histórico que aparentemente é um momento muito fechado é um momento que agente não tem perspectiva, que as possibilidades são poucas.

É o contrário, as possibilidades são infinitas, o horizonte é muito amplo, mas tem um preço a pagar tem que assumir a luta aberta e direta contra o capital e portanto pelo comunismo, não dá mais para agente enfrentar este momento histórico com o que agente fazia 10, 15, 20, 30 anos atrás, ampliar direitos, democratizar estado, democratizar a sociedade, isto não funciona a experiência histórica demonstrou isto, então esta histórica coloca agente frente a enormes possibilidades mas gigantescas necessidades, porque os revolucionários tem que se reciclar inteiramente, tem que voltar pro Marx, tem que voltar para uma política radical naquele sentido do Marx, tem que voltar pras raízes ir atrás das coisas, não ficar nesta política de reticência de médio prazo, de curto prazo, nós temos que pensar grande, porque se os revolucionários não pensarem grande, quem é que vai pensar? a humanidade vai para o buraco.....

Agente tem grandes possibilidades de se autodestruir ou de ir para a revolução proletária.

Digo mais, estamos entre o fogo e a frigideira, se não vier a revolução, eu tou convencido que agente não tem alternativa e se não for revolução proletária, não será outra porque do modo de produção contemporâneo todas as outras classes sociais vivem da riqueza produzida pelo proletariado e é assim mesmo, no escravismo eram os escravos que produzia todas as riquezas, no feudalismo era o servo, no capitalismo é o proletariado. Eu escrevi um livro mais longo que chama trabalho e proletariado no capitalismo contemporâneo, saiu pela Cortez do ano passado para tentar discutir isto. Porque que na esquerda desde os anos 60 pra cá agende vai dando adeus ao proletariado. Um atrás do outro. Do ponto de vista das relações de produção no interior da fábrica, o proletariado está lá, o trabalho manual, não tem nenhum exemplo empírico que o trabalho manual do proletariado tenha sido extinto na fábrica ou no campo, não é assim, a coisa é muito mais complexa, ai faço estudo assim, médio, Petroquímica, tecido química etc. são doze ou treze ramos industriais importantes para mostrar que não existe um exemplo.

De fato o proletariado está aí, existe. Agora, se o proletariado vai cumprir sua missão histórica ou não é outro problema, tem que haver com a luta ideológica etc. É este o horizonte que agente tem.......”

*Professor Sérgio Lessa – Universidade Federal de Alagoas.

** Qualquer falha nesta transcrição é de minha inteira responsabilidade – Carlos Lopes

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