sábado, 24 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Nouriel Roubini: "Karl Marx estava certo"
A crise afeta o epicentro do capitalismo mundial. EUA, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Japão etc. estão patinando ano a ano em crescimento econômico raquítico. Na Grécia, profunda crise, os trabalhadores e demais movimentos populares tomaram as ruas protestando contra as medidas que jogam o ônus da situação sobre os assalariados.
Países árabes como Egito, Síria, Líbia etc. sob pressão da situação econômica e política, as multidões vão às ruas de peito aberto enfrentando a truculência dos tiranos.
Até mesmo economistas a serviço do capital são obrigados a reconhecer que "Karl Marx estava certo" conforme artigo creditado a Nouriel Roubini, professor de economia da Universidade de Nova York, apelidado de "Dr. catástrofe."
domingo, 21 de agosto de 2011
Trabalhador assalariado e operário: a fonte do lucro dos capitalistas.
Trabalhador assalariado e operário: a fonte do lucro dos capitalistas.
Postamos comentário sobre a diferença entre dinheiro e capital e em seguida sobre mais-valia. Entre outros, são conceitos básicos para entendermos o que é capitalismo.
Ficou claro que sem mais-valia não existe capital.
Vamos agora comentar sobre quem de fato gera riqueza no modo de produção capitalista.
CAPITAL CONSTANTE E CAPITAL VARIÁVEL
Para que o dinheiro se transforme em capital é necessário que o capitalista invista com o objetivo de conseguir mais valor, ou seja, obter lucro. O capital é dividido em duas partes: capital constante e capital variável. Capital constante é o maquinário, matérias-prima, prédios etc., e o capital variável são os salários pagos aos trabalhadores.
Quando comentamos sobre mais-valia ficou explícito que o capital constante não acrescenta, apenas transfere valor ao produto final. No processo de produção as matérias primas são transformadas em produto final, não criando nenhum grão de valor a mais.
QUEM DE FATO GERA MAIS VALOR É O TRABALHO
Quem de fato gera mais valor é o trabalho. O salário do trabalhador é apenas o necessário para sua sobrevivência de acordo com o ambiente social onde vive. O valor que seu trabalho gera a mais (mais-valia), no processo de produção, é apropriado pelo capitalista. O único interesse de o capitalista investir na produção de mercadorias é justamente se apropriar desta mais-valia, fonte real do lucro.
TRABALHO COLETIVO
O grande salto para o capitalismo foi o surgimento de unidades produtivas reunindo muitos trabalhadores assalariados para produzir mercadorias sob o comando do capitalista. Antes o artesão era senhor de todo o processo de produção. Agora para sair um produto depende do trabalho associado de vários trabalhadores. É a completa alienação do trabalhador com a venda de sua força de trabalho. Já não mais produz para si, não é mais senhor do processo de produção, pois precisa de um coletivo para concluir o produto final e o comando de tudo é do capitalista. O trabalho é coletivo, mas o que excede o valor dos salários e do capital constante utilizado no processo é apropriado pelo capitalista, transforma-se em propriedade privada. O trabalho é coletivo mas o resultado , o excedente é apropriado pelo capitalista, é transformado em propriedade privada.
FIM DA HISTÓRIA?
FIM DA CLASSE OPERÁRIA?
Com o avanço e a era de ouro do capitalismo no pós-guerra (segunda guerra mundial), surgiram emaranhados de teorias que fortaleceram a hegemonia ideológica da burguesia. “Fim da história”, “fim da classe operária" etc., são exemplos de algumas ideias com o único propósito de negar a necessidade da luta pelo comunismo.
O pior de tudo é que intelectuais e correntes políticas que se autodenominam de esquerda também criaram suas vertentes e anunciavam a reinvenção da roda. Só aumentaram o caldo da confusão ideológica e política no seio dos que lutam pela transformação social.
Uma delas é achar que trabalhador assalariado e operários são sinônimos. Todo operário, o trabalhador que está vinculado diretamente à produção, é trabalhador assalariado, mas nem todo trabalhador assalariado é operário. Para muitos, todos os trabalhadores que vivem do salário têm os mesmos interesses e devem se unir para transformar a sociedade. Com este tipo de conceito, formulam propostas “cabeludas”. No máximo criticam os excessos da exploração capitalista. Em vez da superação do capital, propõem distribuição de renda como se fosse possível convencer “jacaré ser vegetariano”. Não questionam o cerne da questão que é a relação de total dominação do capital sobre o trabalho. Sugerem que com algumas reformas é possível “humanizar o capitalismo” e santificam os “bons” burgueses.
CONTROLAR OS OPERÁRIOS NA ROTINA DIÁRIA DE PRODUÇÃO
Vamos então à questão da diferença entre o trabalhador assalariado e o trabalhador operário.
O presidente da Volkswagen do Brasil é um trabalhador assalariado. É com certeza um dos maiores salários do país. Não é necessário escrever só uma linha para demonstrar que os interesses deste executivo nada tem a ver com os interesses do trabalhador da linha de produção. Em parte, isto se estende ao gerente da média ou pequena fábrica. O capitalista lhes confia a função de controlar o processo de geração de mais valor, ou seja, controlar os operários na rotina diária de produção.
Apesar de assalariados, os diretores, gerentes e supervisores têm uma série de regalias em comparação aos operários da linha de produção e em relação aos trabalhadores que executam a distribuição e controle para que a produção seja viabilizada. Dos operários o capitalista quer produção. Dos diretores, gerentes e supervisores quer fidelidade para impor disciplina rigorosa aos operários, impor controle para extração de mais valor. Dos demais trabalhadores assalariados que não são operários e não exercem cargo de confiança do capitalista, devem atuar na distribuição e controle da riqueza com a mesma disciplina que é imposta aos operários, para garantir a realização do lucro. O operário é um trabalhador assalariado, mas a maioria dos trabalhadores assalariados na atualidade, não são operários. O operário, que também é assalariado é o agente direto gerador da riqueza e fonte objetiva do mais valor para o capital. O trabalhador assalariado que não é operário e que trabalha para viabilizar a distribuição sem exercer função de gerência ou supervisão está submetido à exploração do capital ao mesmo nível dos operários.
. Não
produzem riqueza, mas seu trabalho é fundamental para que o capitalista se
aproprie da maior parte do mais valor gerado pelos operários.
UMA SOCIEDADE SÓ SOBREVIVE SE HÁ TRABALHO QUE TRANSFORME A NATUREZA
Uma sociedade só sobrevive se há trabalho que transforme a natureza. Esta necessidade independe do modo de produção, seja primitivo, asiático, escravista, feudal, capitalista ou comunista. São os trabalhadores que interagem com a natureza direta ou indiretamente (no caso de já atuarem sobre a matéria-prima) que produzem toda riqueza material que a sociedade necessita. Sem o trabalho destes não tem como existir sociedade.
"O trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana.” Karl Marx - O Capital- Livro I Volume 1 - pag. 64/65 - Ed. Civilização Brasileira 20ª Edição
PARA EXISTIR CAPITALISMO É NECESSÁRIA A PRODUÇÃO DE MERCADORIAS
Para existir capitalismo é necessária a produção de mercadorias. A divisão social do trabalho é condição para que exista produção de mercadorias. O produto final é resultado do trabalho coletivo. Esta condição repercute diretamente sobre o trabalhador.
TRABALHO CONCRETO
Definimos trabalho como criador de varlor-de-uso, trabalho útil, concreto, “eterna necessidade da vida social” sem o qual não existe homem na face da terra.
Trabalho concreto, útil, é a produção de valores-de-uso e nesta condição interessa sua qualidade: mesa, cadeira, casaco, prédio etc.
TRABALHO ABSTRATO
No processo de produção de mercadorias surge uma nova categoria. É o trabalho abstrato. “O trabalho abstrato se refere à produção de mais-valia. Tudo que produz mais-valia é trabalho abstrato.” Sérgio Lessa - Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
Trabalho abstrato é “dispêndio de força humana de trabalho”(Karl Marx), substância que iguala o trabalho social pela média, independente do produto final. É a substância que permite definir o valor contido nas mercadorias. Aqui só interessa a quantidade e a duração de seu tempo de trabalho humano do que seja produzido. É a substância que na relação entre as mercadorias, define o valor-de-troca.
“Se o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho gasta durante sua produção, poderia parecer que, quanto mais preguiçoso ou inábil um ser humano, tanto maior o valor de sua mercadoria, pois ele precisa de mais tempo para acabá-la. Todavia, o trabalho que constitui a substância dos valores é o trabalho humano homogênio, dispêndio de idêntica força de trabalho. Toda força de trabalho da sociedade – que se revela nos valores do mundo das mercadorias – vale, aqui, por força de trabalho única, embora se constitua de inúmeras forças de trabalho individuais. Cada uma dessas forças individuais de trabalhos se equipara às demais, na medida em que possua caráter de uma força média e trabalho social e atue como esta força média, precisando, portanto, apenas do tempo de trabalho em média necessário ou socialmente necessário para a produção de uma mercadoria.” Karl Marx - O Capital – Livro I volume 1 – Pagina 60-61- Ed. Civilização Brasileira 20ª Edição.
Temos então duas categorias. A primeira chamamos de trabalho concreto ou simplesmente trabalho, “eterna necessidade da vida social”, que de fato produz valores-de-uso, independente destes valores-de-uso se transmutarem ou não em mercadoria. É o trabalho concreto, útil. A segunda, trabalho abstrato, uma categoria específica da sociedade capitalista, uma sociedade voltada a produzir mercadorias cujo objetivo é extrair mais-valia. É a substância que fornece unidade e referência de valor na relação de troca.
Temos a transmutação do trabalho em trabalho abstrato; de valor-de-uso em mercadoria. Os produtos vão ao mercado para que o capitalista possa realizar o mais-valor.
“Em todos os estágios sociais, o produto do trabalho é valor-de-uso; mas só um período determinado do desenvolvimento histórico, em que se representa o trabalho despendido na produção de uma coisa útil como propriedade “objetiva”, inerente a essa coisa, isto é, como seu valor, é que transforma o produto do trabalho em mercadoria.” Karl Marx – O Capital –Livro I volume 1 – Página 83 - Ed. Civilização Brasileira 20ª Edição
MESMO NO CAPITALISMO AVANÇADO QUEM DE FATO GERA RIQUEZA É O TRABALHO OPERÁRIO.
Agora ficou fácil entender quem de fato produz riqueza no capitalismo. É o “ trabalho operário, aquele que, nas sociedades capitalistas é, por essência, o típico intercâmbio orgânico com a natureza. Ao transformar a natureza o trabalho operário produz uma riqueza antes inexistente. A quantia total da riqueza social se acresce com cada minuto de trabalho operário, pois ele, ao converter natureza em bens sociais, produz o “conteúdo material da riqueza””. Sérgio Lessa -Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
Mesmo no capitalismo avançado quem de fato gera a riqueza é o trabalho operário. Com a dinâmica complexa imposta pelo capitalismo, surgem novas práxis sociais que apesar das aparências, quem lhes dá sustentação é a riqueza produzida pelo trabalho operário.
Temos então que uma parte do trabalho abstrato que produz mais-valia tem origem no trabalho operário, e “outra parte, realiza a transformação desta mais-valia em dinheiro”(Sergio Lessa).
Temos uma riqueza gerada pelo trabalho do operário. Para esta riqueza se transformar em dinheiro é necessário toda uma mobilização na área da distribuição, na comercialização, etc. Sem isto, o capitalista que investe na produção não se apropria da mais-valia gerada pelo trabalho dos operários nem tem de volta o valor que investiu em matéria-prima, maquinário etc. e em salários.
O ASSALARIADO OPERÁRIO GERA RIQUEZA E VALORIZA O CAPÍTAL, O ASSALARIADO NÃO OPERÁRIO APENAS VALORIZA O CAPITAL
O capital industrial se apropria de parte da mais-valia gerada no processo de produção e “libera” outra parte para o capital que atua na distribuição, finanças ou em outros setores da sociedade. Esta divisão é necessária para transformar todo o investimento e a mais-valia em dinheiro. Para comercializar as mercadorias ou viabilizar outras atividades não ligadas ao ato de produzir é contratado trabalho assalariado. Este trabalho assalariado que não atua diretamente na produção, não gera mais riqueza, mas gera mais-valia ao capitalista do ramo comercial, financeiro, etc. Para o capitalista tanto faz se apropriar da mais-valia do assalariado que atua diretamente na produção ou em outra atividade. O assalariado operário gera riqueza e valoriza o capital. O assalariado em outras atividades não gera riqueza, apenas valoriza o capital.
“Para ficarmos com Marx, peguemos os dois exemplos que o debate tornou clássico: o da cantora de ópera e do mestre escola. Ambos podem produzir mais-valia na condição de ter sua força-de-trabalho comprada por um capitalista. O burguês sai do negócio com seu capital ampliado: o arrecadado com os bilhetes ou com as mensalidades escolares é um montante maior do que ele pagou pelo trabalho do professos, ou da cantora, somado aos “custos” do negócio. A geração desta mais-valia se deu sem a transformação da natureza: o dinheiro que as pessoas tinham no bolso e que repassaram ao capitalista como pagamento dos bilhetes da ópera, ou das mensalidades escolares, se transformou em capital nas mãos do burguês. Se os consumidores tiraram de seus bolsos 20 reais, estes mesmos 20 reais entraram no bolso do capitalista. É, portanto, uma mera troca de notas de um bolso no qual as notas servem para consumo, para outro bolso, no qual cumprem a função de capital. A riqueza total da sociedade permaneceu precisamente a mesma, nem um grão foi acrescida por esta troca de notas entre o bolso do consumidor e o bolso do capitalista. Esta é a acumulação de mais-valia pela transformação de dinheiro em capital.” Sérgio Lessa - Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
O resultado desta equação, é que quase toda riqueza existente na sociedade capitalista é gerada pelo trabalho do operariado. “Sendo o trabalho operário a origem de toda a riqueza social ( o que não quer dizer, atenção, a única fonte de mais-valia, como vimos), isto significa que todo o restante da sociedade vive da sua exploração. Ou seja, a única classe que vive do seu próprio trabalho é a classe operária. Por esta razão é esta a única classe social para a qual a extinção da propriedade privada é condição primeira para sua emancipação. Todas as outras classes vivem, direta ou indiretamente, da exploração do trabalho operário e têm, por isso, na propriedade privada os meios de produção condição de sua existência.” Sérgio Lessa - Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
Esta é a forma dominante, por isto é capitalismo. Convive com outras formas.
O CAMPONÊS NÃO FAZ PARTE DO TRABALHADOR COLETIVO MAS TAMBÉM PRODUZ RIQUEZA
O camponês não faz parte do trabalhador coletivo mas também produz riqueza. Em seu trabalho autônomo e familiar, produz para sua subsistência. Não produz mais-valia, não há aqui uma relação capitalista de produção, pois é dono do fruto de seu próprio trabalho. Mas quando o camponês leva o resultado de seu trabalho ao mercado não tem poder de competir com os preços de produto similar, fruto da produção de unidades capitalista agrícola, onde o trabalho é assalariado e coletivo.
CONTRADIÇÃO INSOLÚVEL NOS LIMITES DO CAPITALISMO
Como o trabalho operário é a força que de fato gera riqueza é a classe social mais sujeita à exploração e ao domínio do capitalista. Esta é contradição insolúvel nos limites do capitalismo.
O assalariado operário e o assalariado não operário mantêm relação diferente com a produção. O assalariado operário “mete a mão na massa” e de fato gera riqueza. O assalariado não operário tem a função de controle, distribuição, vendas etc., e não gera nenhuma riqueza. Todos estão sob controle do capitalista mas o rigor é total quando se trata do assalariado operário.
PROLETARIADO É O ASSALARIADO OPERÁRIO
Para nós, proletariado é o assalariado operário. É quem verdadeiramente só tem a ganhar com a revolução comunista. Como é quem produz riqueza de forma abundante, tem potencial para romper com a exploração capitalista, aglutinar em torno de seu projeto as demais classes sociais exploradas (assalariados não operários, camponeses, etc.)
CLASSE SOCIAL COM POTENCIAL PARA TRANSFORMAR A SOCIEDADE
É a classe social que tem em potencial condição e poder para construir uma sociedade sem classes sociais, onde os produtores livremente associados possam construir um mundo liberto das carências materiais, uma sociedade livre de qualquer tipo de opressão. É a única classe social que em potencial tem condição e poder de libertar a humanidade da barbárie. “É esta a única classe social para a qual a extinção da propriedade privada é condição primeira para sua emancipação.” Lessa
Esta concepção formulada por Marx se mantém atual. Outros caminhos formulados por diversas vertentes teóricas não passam de ilusões reformistas nos limites da exploração capitalismo. Não por acaso a humanidade vive hoje um dos maiores dramas de sua história: aprofundamento em massa da exploração, violência e barbárie.
Aos militantes que acreditam na possibilidade da construção de uma nova sociedade, cabe a tarefa de estudar e entender a estrutura de classes e suas relações. Isto em todos os níveis: na vila, no município, no estado, no país, no mundo. Precisa entender que a classe social a quem verdadeiramente interessa a transformação da sociedade é o operariado, principal gerador da riqueza no capitalismo.
A teoria que é verdadeiramente revolucionária, a teoria do ponto de vista do operariado, que se contrapõe às concepções burguesas, é a teoria formulada por Marx e Engels. Importantes revolucionários como Lenin, Gramisc, entre outros, deram decisiva contribuição teórica para quem luta pela transformação social.
UMA SOCIEDADE SÓ SOBREVIVE SE HÁ TRABALHO QUE TRANSFORME A NATUREZA
Uma sociedade só sobrevive se há trabalho que transforme a natureza. Esta necessidade independe do modo de produção, seja primitivo, asiático, escravista, feudal, capitalista ou comunista. São os trabalhadores que interagem com a natureza direta ou indiretamente (no caso de já atuarem sobre a matéria-prima) que produzem toda riqueza material que a sociedade necessita. Sem o trabalho destes não tem como existir sociedade.
"O trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade -, é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana.” Karl Marx - O Capital- Livro I Volume 1 - pag. 64/65 - Ed. Civilização Brasileira 20ª Edição
PARA EXISTIR CAPITALISMO É NECESSÁRIA A PRODUÇÃO DE MERCADORIAS
Para existir capitalismo é necessária a produção de mercadorias. A divisão social do trabalho é condição para que exista produção de mercadorias. O produto final é resultado do trabalho coletivo. Esta condição repercute diretamente sobre o trabalhador.
TRABALHO CONCRETO
Definimos trabalho como criador de varlor-de-uso, trabalho útil, concreto, “eterna necessidade da vida social” sem o qual não existe homem na face da terra.
Trabalho concreto, útil, é a produção de valores-de-uso e nesta condição interessa sua qualidade: mesa, cadeira, casaco, prédio etc.
TRABALHO ABSTRATO
No processo de produção de mercadorias surge uma nova categoria. É o trabalho abstrato. “O trabalho abstrato se refere à produção de mais-valia. Tudo que produz mais-valia é trabalho abstrato.” Sérgio Lessa - Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
Trabalho abstrato é “dispêndio de força humana de trabalho”(Karl Marx), substância que iguala o trabalho social pela média, independente do produto final. É a substância que permite definir o valor contido nas mercadorias. Aqui só interessa a quantidade e a duração de seu tempo de trabalho humano do que seja produzido. É a substância que na relação entre as mercadorias, define o valor-de-troca.
“Se o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho gasta durante sua produção, poderia parecer que, quanto mais preguiçoso ou inábil um ser humano, tanto maior o valor de sua mercadoria, pois ele precisa de mais tempo para acabá-la. Todavia, o trabalho que constitui a substância dos valores é o trabalho humano homogênio, dispêndio de idêntica força de trabalho. Toda força de trabalho da sociedade – que se revela nos valores do mundo das mercadorias – vale, aqui, por força de trabalho única, embora se constitua de inúmeras forças de trabalho individuais. Cada uma dessas forças individuais de trabalhos se equipara às demais, na medida em que possua caráter de uma força média e trabalho social e atue como esta força média, precisando, portanto, apenas do tempo de trabalho em média necessário ou socialmente necessário para a produção de uma mercadoria.” Karl Marx - O Capital – Livro I volume 1 – Pagina 60-61- Ed. Civilização Brasileira 20ª Edição.
Temos então duas categorias. A primeira chamamos de trabalho concreto ou simplesmente trabalho, “eterna necessidade da vida social”, que de fato produz valores-de-uso, independente destes valores-de-uso se transmutarem ou não em mercadoria. É o trabalho concreto, útil. A segunda, trabalho abstrato, uma categoria específica da sociedade capitalista, uma sociedade voltada a produzir mercadorias cujo objetivo é extrair mais-valia. É a substância que fornece unidade e referência de valor na relação de troca.
Temos a transmutação do trabalho em trabalho abstrato; de valor-de-uso em mercadoria. Os produtos vão ao mercado para que o capitalista possa realizar o mais-valor.
“Em todos os estágios sociais, o produto do trabalho é valor-de-uso; mas só um período determinado do desenvolvimento histórico, em que se representa o trabalho despendido na produção de uma coisa útil como propriedade “objetiva”, inerente a essa coisa, isto é, como seu valor, é que transforma o produto do trabalho em mercadoria.” Karl Marx – O Capital –Livro I volume 1 – Página 83 - Ed. Civilização Brasileira 20ª Edição
MESMO NO CAPITALISMO AVANÇADO QUEM DE FATO GERA RIQUEZA É O TRABALHO OPERÁRIO.
Agora ficou fácil entender quem de fato produz riqueza no capitalismo. É o “ trabalho operário, aquele que, nas sociedades capitalistas é, por essência, o típico intercâmbio orgânico com a natureza. Ao transformar a natureza o trabalho operário produz uma riqueza antes inexistente. A quantia total da riqueza social se acresce com cada minuto de trabalho operário, pois ele, ao converter natureza em bens sociais, produz o “conteúdo material da riqueza””. Sérgio Lessa -Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
Mesmo no capitalismo avançado quem de fato gera a riqueza é o trabalho operário. Com a dinâmica complexa imposta pelo capitalismo, surgem novas práxis sociais que apesar das aparências, quem lhes dá sustentação é a riqueza produzida pelo trabalho operário.
Temos então que uma parte do trabalho abstrato que produz mais-valia tem origem no trabalho operário, e “outra parte, realiza a transformação desta mais-valia em dinheiro”(Sergio Lessa).
Temos uma riqueza gerada pelo trabalho do operário. Para esta riqueza se transformar em dinheiro é necessário toda uma mobilização na área da distribuição, na comercialização, etc. Sem isto, o capitalista que investe na produção não se apropria da mais-valia gerada pelo trabalho dos operários nem tem de volta o valor que investiu em matéria-prima, maquinário etc. e em salários.
O ASSALARIADO OPERÁRIO GERA RIQUEZA E VALORIZA O CAPÍTAL, O ASSALARIADO NÃO OPERÁRIO APENAS VALORIZA O CAPITAL
O capital industrial se apropria de parte da mais-valia gerada no processo de produção e “libera” outra parte para o capital que atua na distribuição, finanças ou em outros setores da sociedade. Esta divisão é necessária para transformar todo o investimento e a mais-valia em dinheiro. Para comercializar as mercadorias ou viabilizar outras atividades não ligadas ao ato de produzir é contratado trabalho assalariado. Este trabalho assalariado que não atua diretamente na produção, não gera mais riqueza, mas gera mais-valia ao capitalista do ramo comercial, financeiro, etc. Para o capitalista tanto faz se apropriar da mais-valia do assalariado que atua diretamente na produção ou em outra atividade. O assalariado operário gera riqueza e valoriza o capital. O assalariado em outras atividades não gera riqueza, apenas valoriza o capital.
“Para ficarmos com Marx, peguemos os dois exemplos que o debate tornou clássico: o da cantora de ópera e do mestre escola. Ambos podem produzir mais-valia na condição de ter sua força-de-trabalho comprada por um capitalista. O burguês sai do negócio com seu capital ampliado: o arrecadado com os bilhetes ou com as mensalidades escolares é um montante maior do que ele pagou pelo trabalho do professos, ou da cantora, somado aos “custos” do negócio. A geração desta mais-valia se deu sem a transformação da natureza: o dinheiro que as pessoas tinham no bolso e que repassaram ao capitalista como pagamento dos bilhetes da ópera, ou das mensalidades escolares, se transformou em capital nas mãos do burguês. Se os consumidores tiraram de seus bolsos 20 reais, estes mesmos 20 reais entraram no bolso do capitalista. É, portanto, uma mera troca de notas de um bolso no qual as notas servem para consumo, para outro bolso, no qual cumprem a função de capital. A riqueza total da sociedade permaneceu precisamente a mesma, nem um grão foi acrescida por esta troca de notas entre o bolso do consumidor e o bolso do capitalista. Esta é a acumulação de mais-valia pela transformação de dinheiro em capital.” Sérgio Lessa - Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
O resultado desta equação, é que quase toda riqueza existente na sociedade capitalista é gerada pelo trabalho do operariado. “Sendo o trabalho operário a origem de toda a riqueza social ( o que não quer dizer, atenção, a única fonte de mais-valia, como vimos), isto significa que todo o restante da sociedade vive da sua exploração. Ou seja, a única classe que vive do seu próprio trabalho é a classe operária. Por esta razão é esta a única classe social para a qual a extinção da propriedade privada é condição primeira para sua emancipação. Todas as outras classes vivem, direta ou indiretamente, da exploração do trabalho operário e têm, por isso, na propriedade privada os meios de produção condição de sua existência.” Sérgio Lessa - Trabalho, trabalho abstrato, trabalhadores e operários.
Esta é a forma dominante, por isto é capitalismo. Convive com outras formas.
O CAMPONÊS NÃO FAZ PARTE DO TRABALHADOR COLETIVO MAS TAMBÉM PRODUZ RIQUEZA
O camponês não faz parte do trabalhador coletivo mas também produz riqueza. Em seu trabalho autônomo e familiar, produz para sua subsistência. Não produz mais-valia, não há aqui uma relação capitalista de produção, pois é dono do fruto de seu próprio trabalho. Mas quando o camponês leva o resultado de seu trabalho ao mercado não tem poder de competir com os preços de produto similar, fruto da produção de unidades capitalista agrícola, onde o trabalho é assalariado e coletivo.
CONTRADIÇÃO INSOLÚVEL NOS LIMITES DO CAPITALISMO
Como o trabalho operário é a força que de fato gera riqueza é a classe social mais sujeita à exploração e ao domínio do capitalista. Esta é contradição insolúvel nos limites do capitalismo.
O assalariado operário e o assalariado não operário mantêm relação diferente com a produção. O assalariado operário “mete a mão na massa” e de fato gera riqueza. O assalariado não operário tem a função de controle, distribuição, vendas etc., e não gera nenhuma riqueza. Todos estão sob controle do capitalista mas o rigor é total quando se trata do assalariado operário.
PROLETARIADO É O ASSALARIADO OPERÁRIO
Para nós, proletariado é o assalariado operário. É quem verdadeiramente só tem a ganhar com a revolução comunista. Como é quem produz riqueza de forma abundante, tem potencial para romper com a exploração capitalista, aglutinar em torno de seu projeto as demais classes sociais exploradas (assalariados não operários, camponeses, etc.)
CLASSE SOCIAL COM POTENCIAL PARA TRANSFORMAR A SOCIEDADE
É a classe social que tem em potencial condição e poder para construir uma sociedade sem classes sociais, onde os produtores livremente associados possam construir um mundo liberto das carências materiais, uma sociedade livre de qualquer tipo de opressão. É a única classe social que em potencial tem condição e poder de libertar a humanidade da barbárie. “É esta a única classe social para a qual a extinção da propriedade privada é condição primeira para sua emancipação.” Lessa
Esta concepção formulada por Marx se mantém atual. Outros caminhos formulados por diversas vertentes teóricas não passam de ilusões reformistas nos limites da exploração capitalismo. Não por acaso a humanidade vive hoje um dos maiores dramas de sua história: aprofundamento em massa da exploração, violência e barbárie.
Aos militantes que acreditam na possibilidade da construção de uma nova sociedade, cabe a tarefa de estudar e entender a estrutura de classes e suas relações. Isto em todos os níveis: na vila, no município, no estado, no país, no mundo. Precisa entender que a classe social a quem verdadeiramente interessa a transformação da sociedade é o operariado, principal gerador da riqueza no capitalismo.
A teoria que é verdadeiramente revolucionária, a teoria do ponto de vista do operariado, que se contrapõe às concepções burguesas, é a teoria formulada por Marx e Engels. Importantes revolucionários como Lenin, Gramisc, entre outros, deram decisiva contribuição teórica para quem luta pela transformação social.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O processo de produzir mais-valia*
Desde o século XIX o capitalismo é a forma dominante nas relações de produção.
Em postagem anterior, fizemos breve comentário como o dinheiro se transforma em capital. Ficou no ar a dúvida como é gerado o mais valor que faz o capital crescer como uma bola de neve.
Vamos fazer breve comentário sobre este processo e tentar entender o que Marx decifrou.
Quando o capitalista vai ao mercado com dinheiro, compra mercadoria e troca novamente por dinheiro, no processo D – M – D’(onde D = dinheiro; M= mercadoria; D’= Dinheiro acrescido do lucro obtido com a venda da mercadoria). Esta movimentação tem um único objetivo: obter lucro.
De onde vem então este valor a mais?
O capitalismo é um modo de produção voltado a produzir mercadorias. Na realidade a mercadoria só camufla a essência, pois o objetivo real é gerar mais valor extraindo mais-valia da força de trabalho.
A força de trabalho se diferencia de todas as outras mercadorias pelo fato peculiar de gerar o que o capital tanto almeja: mais-valia.
Para que a mercadoria, força de trabalho, exista, é fundamental uma série de condições mas a principal é que existam trabalhadores despojado de qualquer outro meio de vida a não ser a venda de sua mercadoria: a força de trabalho. Estes trabalhadores devem ter liberdade para vender a quem quiser sua mercadoria.
Para produzir mercadorias, cujo único objetivo é obter lucro, o capitalista compra a matéria prima, prédios, maquinário, tudo o que é necessário no processo de produção. No caso da produção de sapatos, vamos supor que o capitalista compra couro e maquinário.
Além de matéria prima e maquinário, precisa contratar a força de trabalho. Em comum acordo com o trabalhador, contrata a força de trabalho por R$ 40,00 a diária.
Fato importante é que este valor corresponde ao necessário para o trabalhador repor suas energias e ter forças e ambiente de vida para todos os dias estar trabalhando. Quando está em seu posto de trabalho, precisa apenas de 4 horas para gerar o valor de R$ 40,00(admitimos aqui trabalho social).
Está aqui tudo pronto para iniciar a produção de sapatos. Vamos entrar em operação e fazer a contabilidade.
Vamos supor que para produzir um par de sapatos investiu na aquisição de couro o equivalente a R$ 60,00. Para produzir este sapato, tem desgaste do maquinário que vamos supor custe R$ 10,00.
Vamos admitir que nosso trabalhador em ½ diária transforma couro em sapatos e é o tempo que precisa para produzir o suficiente para sua subsistência, R$ 40,00. Assim podemos fechar a seguinte contabilidade:
Aquisição de couro e desgaste do maquinário = R$ 70,00; (60,00 + 10,00)
½ diária para transformar couro em sapato ............= R$ 40,00
Valor do sapato.......................................= R$ 110,00
Vamos então ao mercado. O valor do sapato é R$ 110,00. Sendo assim o capitalista não consegue um centavo de lucro. Investiu R$ 110,00 e conseguiu ter como retorno R$ 110,00.
Mas é justamente aqui onde está o pulo do gato.
O trabalhador vendeu sua força de trabalho ao capitalista pelo valor combinado e o suficiente para sua subsistência. Vendeu pelo valor de troca, onde outros trabalhadores também estavam dispostos a fazê-lo nas mesmas condições.
Supomos que o capitalista paga R$ 40,00 pela jornada diária do trabalhador. Destacamos que o trabalhador precisa apenas de 4 horas de produção para repor os R$ 40,00 que corresponde ao valor combinado da diária.
Ao vender sua força de trabalho, o trabalhador assumiu o compromisso de executar a diária em uma jornada de 8 horas. Assim o capitalista pode utilizar esta mercadoria, a força de trabalho, da forma que achar mais produtiva neste intervalo, pois o valor-de-uso desta mercadoria lhes pertence neste período.
Produzindo apenas um par de sapatos o capitalista não conseguiu obter lucro.
Vamos ver o que acontece quando produz dois pares de sapatos:
Investimento em couro = 2 x 60,00 = 120,00
Desgastes de maquinário = 2 x 10,00 = 20,00
1 diária para transformar couro em sapatos = 40,00 (mesmo valor para produzir um par)
Total investido....................................= 180,00
É importante observar que o trabalhador continua recebendo o mesmo valor da diária produzindo um, dois ou mais sapatos neste intervalo. O que produz além dos R$ 40,00 é de propriedade do capitalista. O capitalista contrata a força de trabalho exclusivamente para se apropriar desta riqueza excedente.
Já sabemos que o valor do par de sapatos é R$ 110,00. Assim dois pares correspondem a R$ 220,00. Para produzir dois pares de sapatos o capitalista investiu apenas R$ 180,00. Conseguiu seu objetivo, lucrou R$ 40,00. Finalmente o dinheiro se transformou em capital. A bola de neve do capital segue o modelo D – M – D’.
Este é um retrato simplificado da lógica que rege o modo de produção capitalista. A Questão está esclarecida: aqui quem gera mais valor e possibilita o acumulo de capitais é a mais-valia gerada pela dedicação do trabalhador. O capitalista só teve lucro porque se apropriou da riqueza excedente gerada pela força de trabalho.
Na próxima oportunidade comentaremos com mais detalhe a mais-valia.
*O Capital – Karl Marx- Livro I Volume 1 - PP 220 a 231 – Ed. Civilização Brasileira – 25® Edição
Em postagem anterior, fizemos breve comentário como o dinheiro se transforma em capital. Ficou no ar a dúvida como é gerado o mais valor que faz o capital crescer como uma bola de neve.
Vamos fazer breve comentário sobre este processo e tentar entender o que Marx decifrou.
Quando o capitalista vai ao mercado com dinheiro, compra mercadoria e troca novamente por dinheiro, no processo D – M – D’(onde D = dinheiro; M= mercadoria; D’= Dinheiro acrescido do lucro obtido com a venda da mercadoria). Esta movimentação tem um único objetivo: obter lucro.
De onde vem então este valor a mais?
O capitalismo é um modo de produção voltado a produzir mercadorias. Na realidade a mercadoria só camufla a essência, pois o objetivo real é gerar mais valor extraindo mais-valia da força de trabalho.
A força de trabalho se diferencia de todas as outras mercadorias pelo fato peculiar de gerar o que o capital tanto almeja: mais-valia.
Para que a mercadoria, força de trabalho, exista, é fundamental uma série de condições mas a principal é que existam trabalhadores despojado de qualquer outro meio de vida a não ser a venda de sua mercadoria: a força de trabalho. Estes trabalhadores devem ter liberdade para vender a quem quiser sua mercadoria.
Para produzir mercadorias, cujo único objetivo é obter lucro, o capitalista compra a matéria prima, prédios, maquinário, tudo o que é necessário no processo de produção. No caso da produção de sapatos, vamos supor que o capitalista compra couro e maquinário.
Além de matéria prima e maquinário, precisa contratar a força de trabalho. Em comum acordo com o trabalhador, contrata a força de trabalho por R$ 40,00 a diária.
Fato importante é que este valor corresponde ao necessário para o trabalhador repor suas energias e ter forças e ambiente de vida para todos os dias estar trabalhando. Quando está em seu posto de trabalho, precisa apenas de 4 horas para gerar o valor de R$ 40,00(admitimos aqui trabalho social).
Está aqui tudo pronto para iniciar a produção de sapatos. Vamos entrar em operação e fazer a contabilidade.
Vamos supor que para produzir um par de sapatos investiu na aquisição de couro o equivalente a R$ 60,00. Para produzir este sapato, tem desgaste do maquinário que vamos supor custe R$ 10,00.
Vamos admitir que nosso trabalhador em ½ diária transforma couro em sapatos e é o tempo que precisa para produzir o suficiente para sua subsistência, R$ 40,00. Assim podemos fechar a seguinte contabilidade:
Aquisição de couro e desgaste do maquinário = R$ 70,00; (60,00 + 10,00)
½ diária para transformar couro em sapato ............= R$ 40,00
Valor do sapato.......................................= R$ 110,00
Vamos então ao mercado. O valor do sapato é R$ 110,00. Sendo assim o capitalista não consegue um centavo de lucro. Investiu R$ 110,00 e conseguiu ter como retorno R$ 110,00.
Mas é justamente aqui onde está o pulo do gato.
O trabalhador vendeu sua força de trabalho ao capitalista pelo valor combinado e o suficiente para sua subsistência. Vendeu pelo valor de troca, onde outros trabalhadores também estavam dispostos a fazê-lo nas mesmas condições.
Supomos que o capitalista paga R$ 40,00 pela jornada diária do trabalhador. Destacamos que o trabalhador precisa apenas de 4 horas de produção para repor os R$ 40,00 que corresponde ao valor combinado da diária.
Ao vender sua força de trabalho, o trabalhador assumiu o compromisso de executar a diária em uma jornada de 8 horas. Assim o capitalista pode utilizar esta mercadoria, a força de trabalho, da forma que achar mais produtiva neste intervalo, pois o valor-de-uso desta mercadoria lhes pertence neste período.
Produzindo apenas um par de sapatos o capitalista não conseguiu obter lucro.
Vamos ver o que acontece quando produz dois pares de sapatos:
Investimento em couro = 2 x 60,00 = 120,00
Desgastes de maquinário = 2 x 10,00 = 20,00
1 diária para transformar couro em sapatos = 40,00 (mesmo valor para produzir um par)
Total investido....................................= 180,00
É importante observar que o trabalhador continua recebendo o mesmo valor da diária produzindo um, dois ou mais sapatos neste intervalo. O que produz além dos R$ 40,00 é de propriedade do capitalista. O capitalista contrata a força de trabalho exclusivamente para se apropriar desta riqueza excedente.
Já sabemos que o valor do par de sapatos é R$ 110,00. Assim dois pares correspondem a R$ 220,00. Para produzir dois pares de sapatos o capitalista investiu apenas R$ 180,00. Conseguiu seu objetivo, lucrou R$ 40,00. Finalmente o dinheiro se transformou em capital. A bola de neve do capital segue o modelo D – M – D’.
Este é um retrato simplificado da lógica que rege o modo de produção capitalista. A Questão está esclarecida: aqui quem gera mais valor e possibilita o acumulo de capitais é a mais-valia gerada pela dedicação do trabalhador. O capitalista só teve lucro porque se apropriou da riqueza excedente gerada pela força de trabalho.
Na próxima oportunidade comentaremos com mais detalhe a mais-valia.
*O Capital – Karl Marx- Livro I Volume 1 - PP 220 a 231 – Ed. Civilização Brasileira – 25® Edição
quarta-feira, 18 de maio de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Transformação do dinheiro em capital*.
É comum achar que dinheiro e capital são sinônimos.
Esta questão é estudada em “O Capital”, obra principal de Karl Marx.
Referenciado em Marx vamos fazer uma resumida análise.
Quando recebemos nosso salário e vamos ao supermercado comprar pão, feijão, arroz, carne, etc., não tenha dúvida que estamos lidando com dinheiro.
Vendemos nossa força de trabalho que é uma mercadoria, em troca recebemos salário na forma de dinheiro e com este dinheiro compramos o necessário para nos alimentar e o que for básico para nossa vida.
Temos aqui o processo que representamos com M – D – M, onde M quer dizer mercadoria e D, dinheiro. Partimos da mercadoria, trocamos por dinheiro e finalizamos com a compra de outras mercadorias para satisfazer nossas necessidades. Quando finalizamos o processo, comprando mercadorias temos como objetivo seu valor-de-uso.
Em uma economia camponesa o processo é similar. O camponês satisfaz boa parte de suas necessidades em sua relação com a natureza. Ao trabalhar pessoalmente na terra, dela extrai boa parte dos alimentos que consome. Como precisa de algum complemento, leva parte de seu excedente como feijão, mandioca, etc. à feira, troca por dinheiro e compra café, açúcar, sal, óleo etc. Algo que sobra no bolso não tem outro objetivo a não ser comprar algo que lhes tenha valor-de-uso. Não tenhamos dúvida que esta movimentação só utiliza o dinheiro para satisfazer ao que é necessário à existência conforme o modo de vida. Nestas condições, o dinheiro não tem outra utilidade a não ser meio de troca para adquirir valor-de-uso.
Permanece então o esquema M – D – M, onde o M final tem como objetivo seu valor-de-uso.
Vamos analisar agora a forma onde o dinheiro se transforma em capital.
Aqui o processo parte do dinheiro. Temos o dinheiro acumulado de alguma forma e pretendemos que aumente seu valor. Para conseguir o aumento de seu valor o que podemos fazer?
Pegamos o dinheiro, vamos ao mercado comprar mercadoria com o único objetivo de revender com valor maior e realizar o que desejamos: ter lucro. Esquematicamente temos:
D – M – D’.
É importante observar que aqui não temos nenhum desejo de consumir a mercadoria, mas o único objetivo de revendê-la com lucro. O que nos interessa aqui é o valor-de-troca da mercadoria, o valor a mais que obteremos na transação.
Vamos definir que compramos um par de sapatos por R$ 100,00 e revendemos por R$ 110,00. Obtivemos lucro de R$ 10,00. Retornamos ao mercado e repetimos esta operação enquanto obtiver lucro. Não tenhamos dúvida que neste caso o dinheiro se transformou em capital. Ter dinheiro, comprar mercadoria para vender e obter mais dinheiro. Este é o papel do dinheiro como capital.
Mas surge uma curiosidade. De onde sai este valor a mais, onde é produzida esta riqueza?
Imaginemos que tenha no mercado camisas cujo valor unitário seja também R$ 110,00. Como meu sapato vale R$ 110,00 o certo é trocar apenas um par de sapatos por uma camisa. Mas vamos admitir que na esperteza eu consiga que o dono da camisa concorde em fazer a troca e me devolver R$ 10,00. Como camisa mais sapato somam R$ 220,00, nesta operação o dono da camisa perdeu R$ 10,00 e ganhei R$ 10,00. No total a riqueza não alterou o valor. Apenas o que para um foi prejuízo, para o outro foi lucro, no total os valores permanecem R$ 220,00.
Caso a lógica da sociedade seja esta, não haverá acréscimo de riqueza e no dia que todos forem espertos não poderá haver ganhador, pois todos estão armados com o conhecimento para não serem enrolados. Aí ninguém vai conseguir fazer troca dando prejuízo ao outro. Sem ganhar valor a mais,ninguém irá fazer uso de seu dinheiro como capital.
Mas no mundo real acontece o contrário. É desejo unânime de quem tem dinheiro acumulado, usá-lo como capital para obter lucro.
Onde está o segredo deste negócio? De onde surge este valor a mais em uma relação de compra e venda de mercadorias?
No próximo capítulo vamos analisar de onde surge o mais valor.
*O Capital – Livro I Volume I - Karl Marx – PP 177 “1. A FÓRMULA GERAL DO CAPITAL – Ed. Civilização Brasileira Edição 25ª.
Esta questão é estudada em “O Capital”, obra principal de Karl Marx.
Referenciado em Marx vamos fazer uma resumida análise.
Quando recebemos nosso salário e vamos ao supermercado comprar pão, feijão, arroz, carne, etc., não tenha dúvida que estamos lidando com dinheiro.
Vendemos nossa força de trabalho que é uma mercadoria, em troca recebemos salário na forma de dinheiro e com este dinheiro compramos o necessário para nos alimentar e o que for básico para nossa vida.
Temos aqui o processo que representamos com M – D – M, onde M quer dizer mercadoria e D, dinheiro. Partimos da mercadoria, trocamos por dinheiro e finalizamos com a compra de outras mercadorias para satisfazer nossas necessidades. Quando finalizamos o processo, comprando mercadorias temos como objetivo seu valor-de-uso.
Em uma economia camponesa o processo é similar. O camponês satisfaz boa parte de suas necessidades em sua relação com a natureza. Ao trabalhar pessoalmente na terra, dela extrai boa parte dos alimentos que consome. Como precisa de algum complemento, leva parte de seu excedente como feijão, mandioca, etc. à feira, troca por dinheiro e compra café, açúcar, sal, óleo etc. Algo que sobra no bolso não tem outro objetivo a não ser comprar algo que lhes tenha valor-de-uso. Não tenhamos dúvida que esta movimentação só utiliza o dinheiro para satisfazer ao que é necessário à existência conforme o modo de vida. Nestas condições, o dinheiro não tem outra utilidade a não ser meio de troca para adquirir valor-de-uso.
Permanece então o esquema M – D – M, onde o M final tem como objetivo seu valor-de-uso.
Vamos analisar agora a forma onde o dinheiro se transforma em capital.
Aqui o processo parte do dinheiro. Temos o dinheiro acumulado de alguma forma e pretendemos que aumente seu valor. Para conseguir o aumento de seu valor o que podemos fazer?
Pegamos o dinheiro, vamos ao mercado comprar mercadoria com o único objetivo de revender com valor maior e realizar o que desejamos: ter lucro. Esquematicamente temos:
D – M – D’.
É importante observar que aqui não temos nenhum desejo de consumir a mercadoria, mas o único objetivo de revendê-la com lucro. O que nos interessa aqui é o valor-de-troca da mercadoria, o valor a mais que obteremos na transação.
Vamos definir que compramos um par de sapatos por R$ 100,00 e revendemos por R$ 110,00. Obtivemos lucro de R$ 10,00. Retornamos ao mercado e repetimos esta operação enquanto obtiver lucro. Não tenhamos dúvida que neste caso o dinheiro se transformou em capital. Ter dinheiro, comprar mercadoria para vender e obter mais dinheiro. Este é o papel do dinheiro como capital.
Mas surge uma curiosidade. De onde sai este valor a mais, onde é produzida esta riqueza?
Imaginemos que tenha no mercado camisas cujo valor unitário seja também R$ 110,00. Como meu sapato vale R$ 110,00 o certo é trocar apenas um par de sapatos por uma camisa. Mas vamos admitir que na esperteza eu consiga que o dono da camisa concorde em fazer a troca e me devolver R$ 10,00. Como camisa mais sapato somam R$ 220,00, nesta operação o dono da camisa perdeu R$ 10,00 e ganhei R$ 10,00. No total a riqueza não alterou o valor. Apenas o que para um foi prejuízo, para o outro foi lucro, no total os valores permanecem R$ 220,00.
Caso a lógica da sociedade seja esta, não haverá acréscimo de riqueza e no dia que todos forem espertos não poderá haver ganhador, pois todos estão armados com o conhecimento para não serem enrolados. Aí ninguém vai conseguir fazer troca dando prejuízo ao outro. Sem ganhar valor a mais,ninguém irá fazer uso de seu dinheiro como capital.
Mas no mundo real acontece o contrário. É desejo unânime de quem tem dinheiro acumulado, usá-lo como capital para obter lucro.
Onde está o segredo deste negócio? De onde surge este valor a mais em uma relação de compra e venda de mercadorias?
No próximo capítulo vamos analisar de onde surge o mais valor.
*O Capital – Livro I Volume I - Karl Marx – PP 177 “1. A FÓRMULA GERAL DO CAPITAL – Ed. Civilização Brasileira Edição 25ª.
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